Cheguei no Brasil sexta-feira passada e além de gostar muito de chegar aqui, a coisa que eu mais gosto é de ter meu irmão, Vavau, sempre me esperando no aeroporto. Ligo pra ele perguntado se ele pode ir me esperar e ele sempre responde imediatamente que não, todo aborrecido, reclamando de tudo, do horário, do carro, das coisas pra fazer. Então, eu, já sem esperanças digo todo triste: ok Vavá, deixe pra lá, eu me viro. Dois minutos depois, ele me liga de volta perguntando: que horas você chega mesmo? E ai é garantido: ele vai me esperar. Uma figura tão doce que não tem nada haver com sua cara de malvado. Aliás, o personagem do Nicolas Calazé no filme “Le clan” é bastante parecido com ele, apesar de mais extremado. Quando vi aquele filme, na primeira cena já sabia de quem eu estava me lembrando. E num certo momento do filme, o personagem decide acabar com o cara que matou seu cachorro e sobe num escorregador de criança esperando o outro sair de casa pra atirar. No momento que ele já esta com a arma apontada pro cara, um grupo de crianças fantasiadas e com armas de brinquedo sobem no escorregador e começam a disparar suas armas de brinquedo em direção a ele, que numa fração de segundos, desiste de matar o outro. Uma das cenas mais comoventes que eu já vi no cinema. O fato é que Vavau é assim, não só comigo, mas com todos da família. E ele é o nosso Vavau. Cada dia mais gordo. Esta parecendo cada vez mais nosso avô paterno, Sr Manoel Guilherme, que só conheci quando muito pequeno, mas de quem me lembro ainda da imensa barriga, e das historias que ele contava deitado na rede da casa velha da cajaíba.
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