Quem olha essas paisagens não chega nem a imaginar o que passamos nessa travessia dos Andes. Para sair do Chile e entrar na Argentina temos que descer do ônibus e fazer as operações de fronteira. Mas tem um detalhe: estamos numa altura onde as poças d’água já estão congeladas e a Aduana é aberta, no meio dos Andes. Não estávamos vestidos adequadamente e passamos quase 1h30 numa situação de emergência que só não era pior porque a gente ria tanto da nossa própria desgraça que acabava por aquecer o corpo todo. Ai que vida!
Friday, 29 April 2011
Wednesday, 27 April 2011
Santiago II
Bem,
a Cris inventou que deveríamos ir num bar que é conhecido em Santiago como café
com pernas, onde as mulheres servem café de minissaia. Mas isso não era tudo.
Ela disse mesmo que a gente precisava ir num café onde as garçonetes servem
café de calcinha e sutiã. Sim. E lá fomos nós atrás desse café. Quando
perguntamos ao moço na rua onde ficava, senti algo estranho na resposta do
moço. Tal como: vocês têm certeza que querem ir pra lá. Bem, chegamos ao café,
abrimos a porta decididos e entramos. Logo na chegada, uma moça em pé, com a
luz neon a tornar sua bunda nua algo irreal, e outras duas moças de calcinha e
sutiã a vir nos servir. Perguntaram o que queríamos e quando respondemos, logo
uma foi apanhar a encomenda e outra sentou ao meu lado em cima do balcão numa
pose meio Nelson Rodrigues. Eu fiquei tão sem jeito e tão vermelho que fosse eu
branco e toda a sala estaria escarlate. A Cris percebeu logo a minha pouca
desenvoltura e logo começou a dialogar com as moças. Eu passei o resto do tempo
embasbacado, achando que elas eram feitas de pano. Depois do café, saímos
apressados e fomos andar até o mercado central de Santiago, onde comemos uma
Paila de mariscos do pacifico.
Santiago I
Santiago
esperava por nós muito mais do que nós esperávamos por Santiago. Primeiro que
1,00 real equivale a 260,00 pesos chilenos. Ou seja, uma mera corrida de taxi
do aeroporto para o hotel pode custar algo em torno de 12 mil pesos chilenos.
Isso deixa qualquer um em estado de choque... essas almas salariadas-pós-plano-real.
Então, a pergunta mais importante em frente ao caixa eletrônico do aeroporto
era: quantos mil pesos retirar de uma continha que não tem nada de milionária?
Bem, no final, tudo se resolveu, mas é preciso deixar claro que era muito
difícil dividir todos os preços por 260 (de cabeça) e toda hora. O mais
importante era saber dividir até comprar a primeira taça de vinho. Depois, o
cérebro parava de funcionar e tudo ficava mais fácil. A cada minuto os nossos
10.000,00 pesos valiam uma quantia diferente em reais. Mas, como eu disse, a
cidade estava preparada para nos receber e, ao contrário dos argentinos (e
vários brasileiros), os chilenos estavam sempre dispostos a explicar as coisas
e te devolver o troco correto no meio da confusão de uma cidade grande, e da
nossa própria confusão. Os chilenos são feios, e são tão bacanas e ingênuos
como só os feios podem ser. Aliás, a maior doçura dos chilenos é ter um sotaque
impossível de se compreender, mesmo quando estão nos explicando as coisas. Os
Andes se impõem nas paisagens e parecem os pais daquela cidade feliz.
Provavelmente são eles que determinam os limites daquelas pessoas. E os nossos
também. Precisamos estar novamente em Santiago, e urgentemente.
Subscribe to:
Posts (Atom)