Santiago
esperava por nós muito mais do que nós esperávamos por Santiago. Primeiro que
1,00 real equivale a 260,00 pesos chilenos. Ou seja, uma mera corrida de taxi
do aeroporto para o hotel pode custar algo em torno de 12 mil pesos chilenos.
Isso deixa qualquer um em estado de choque... essas almas salariadas-pós-plano-real.
Então, a pergunta mais importante em frente ao caixa eletrônico do aeroporto
era: quantos mil pesos retirar de uma continha que não tem nada de milionária?
Bem, no final, tudo se resolveu, mas é preciso deixar claro que era muito
difícil dividir todos os preços por 260 (de cabeça) e toda hora. O mais
importante era saber dividir até comprar a primeira taça de vinho. Depois, o
cérebro parava de funcionar e tudo ficava mais fácil. A cada minuto os nossos
10.000,00 pesos valiam uma quantia diferente em reais. Mas, como eu disse, a
cidade estava preparada para nos receber e, ao contrário dos argentinos (e
vários brasileiros), os chilenos estavam sempre dispostos a explicar as coisas
e te devolver o troco correto no meio da confusão de uma cidade grande, e da
nossa própria confusão. Os chilenos são feios, e são tão bacanas e ingênuos
como só os feios podem ser. Aliás, a maior doçura dos chilenos é ter um sotaque
impossível de se compreender, mesmo quando estão nos explicando as coisas. Os
Andes se impõem nas paisagens e parecem os pais daquela cidade feliz.
Provavelmente são eles que determinam os limites daquelas pessoas. E os nossos
também. Precisamos estar novamente em Santiago, e urgentemente.
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