Friday, 20 May 2011

Batatinha, tomate, etc...


Hoje eu vou fazer uma tartiflete aqui em casa. Apesar do nome, isso é uma comidinha básica francesa que leva batata, bacon e queijo. Ou seja, uma bomba que vai servir para esquentar um pouco o dia de hoje nessa terra. E nem adianta rir: essa semana promete ser a semana mais fria do ano em Sergipe, e isso já se anuncia hoje com esses siberianos 17°C! Fazer o quê? Tem neguinho acendendo o fogão a lenha o dia inteiro em Riachão do Dantas, se vestindo com bolsas plásticas, etc, tudo pra ver se espanta o frio que resolveu testar os sergipanos esses dias! Mas ai, voltando ao assunto original, você sabia que a batatinha só chegou à Europa no século XIX? E o tomate também? Fiquei besta quando soube. Porque quando eu imagino a mesa da Europa de hoje sem a batatinha e o tomate, acaba me dando até um certo horror de pensar o que se comia antes! Por isso que nem caramujo escapava, meu filho! O tomate e a batatinha foram levados daqui da América. E mais: sabia que até o Renascimento as pessoas que eram convidadas para festas deveriam levar no bolso seu estojinho com colher, garfo e faca? Sim, cada um tinha o seu. E que bem antes disso, a inexistência de pratos criava uma situação bizarra. Tipo, as pessoas comiam num prato feito de pão super hiper mega plus plus duro. E ao final da refeição, doavam esse pão molhadinho pros vassalos. Idade média. Engraçado... lembro que uma vez eu vi num jornal de Strasbourg um anuncio de um restaurante que oferecia um menu Idade Média. Na época, nem me interessei mais pelo assunto, e acabei perdendo a oportunidade de descobrir gostos bizarros! Mas o fato é que a comida de hoje aqui em casa não tem nada de Idade Média e é, talvez, bem mais americana do que francesa. Ninguém vai precisar trazer seus talheres também, o que já insere a gente no Renascimento. A única coisa Idade Média que existe hoje aqui ainda é o apetite de todo mundo!

Tuesday, 10 May 2011

Leve um celular



Outro dia, entrando no Banco do Brasil da universidade, acabei sendo protagonista de uma cena curiosa. Deixei o meu celular e meu molho de chaves na caixa para poder passar no detector de metais. Tive que esperar um pouco, pois um rapaz da minha idade estava também colocando o seu celular e também o seu molho de chaves. Como estava com o computador na bolsa, logicamente, o aparelho emitiu o mesmo sinal que emitiria se alguém armado, intencionalmente, estivesse tentando entrar no banco. A segurança pediu para ver o interior da minha bolsa e eu atendi ao seu pedido. Depois, achei melhor ir pegar de volta o meu celular e chaves, antes que algum engraçadinho aproveitasse da situação para me roubar, o que seria impossível, mas... O fato é que quando voltei, achei apenas o meu molho de chaves, nada mais dentro da caixa. O rapaz que colocou as suas chaves e seu celular antes de mim estava saindo do local e, naturalmente, eu disse: ei, rapaz, meu celular! Não que eu tivesse certeza que ele era o responsável pelo desaparecimento do meu celular, mas achei que algo nele me dava a liberdade de falar assim. Ele, de forma assustadora e incrível, se virou, retirou o meu celular do bolso dele e recolocou-o dentro da caixinha na porta de entrada do banco. Como a segurança estava do lado eu lhe disse: você não vai fazer nada? E ela me respondeu: fazer o quê? Eu respondi: se você não sabe o que fazer, o que você espera que eu faça? Você acha que eu vou entrar na fila do caixa do lado de uma pessoa que acaba de roubar meu celular? Bem, o fato é que eu entrei no banco e enfrentei a tal fila do lado do cara que acabara de roubar meu celular. Ele fingia que não me reconhecia. Eu, por minha vez, fingia que nunca o tinha visto. E essa é a visão mais real desse nosso país.

Monday, 2 May 2011

Universo


Dar aula de termodinâmica não é tão simples assim para uma alma qualquer. A cada nova lei você se sente mais e mais inanimado. Quase um desenho escrito a lápis no caderno, distraidamente. No meio de um turbilhão de processos. Todos tendendo ao equilíbrio utópico. Na direção do caos energético, que acaba por se refletir nas nossas decisões cotidianas. Aliás, o caos... ele, que parece ser o destino maior de cada ser vivo. E daquilo que chamamos, sem vergonha, de universo.