Friday, 18 May 2012

Soneto enclausurado



Deu-me a flor, a dor de tal sufoco
Que no fim lucrava a história e a vida breve
Secou a flor
E a mim?
Mantenho a febre sem fim que me sustenha, por suposto

Detenho o passo
Mas escurece o rosto
Dessa que teve, em tempo, olhar leve

E nem tudo que irradia a alma despede
Pairando na vigília do sol posto

O que me espreita?
Só ranço e desgosto

Fechada nessa cela que a luz despe
A voz confusa, o sentimento tonto
Fixo a memória que não desvanece
Percorro o dom inebriado e solto
Que mesmo morto
Ainda prevalece

Maria Lucia Dal Farra

Thursday, 10 May 2012

Mar alto



A pedra bateu na bússola e o norte caiu no mar
Barco cego, todavia não é só o sol que há

A pedra bateu na bússola e o norte caiu no mar
Chegar na hora, embora não saiba por onde vá

O fim da tarde não tarda e o corpo quer descansar
Quanto mais o barco avança, mais perto do não chegar

Será que o porto recua?
O sol que vi já era o ar e o barco cego navega,
navega por navegar

O farol de que falaram ainda está no lugar
Onde a noite é mesmo noite não é em terra, é no mar

Você que pesca a alta noite nas blumas do alto mar
Veja se pesca meu norte, pois eu preciso chegar

São pequenas grandes coisas tão próprias do navegar...

A pedra bateu na bússola
O norte caiu no mar

Renato Nunes (?)