Monday, 6 February 2006

Crimes e castigos


Um amigo, outro dia, disse que eu iria gostar de assistir "Easy Rider", um filme americano de 1969. A libertação do cinema americano, apos o 68 de Paris. Ele me deu de presente o vídeo. Assisti e achei muito legal. Sobretudo algumas cenas. Fiquei apaixonado. Ao mesmo tempo tenho me apaixonado pelo rock. Nunca achei que iria dizer isso... e mesmo, que isso iria acontecer logo na França... rock'n'roll!!!! Yeahhhhhhhh! Ao mesmo tempo, estou lendo "Crime e Castigo" em francês. Uma peste! E ainda ao mesmo tempo, ganhei um livro do Sartre, do pai de um amigo, onde ele começa dizendo que antes de lerem o livro dele, é preciso pensar na bíblia, em Dostoievski... achei engraçado. E mais engraçado ainda, pois mês passado vi o ultimo filme do Woody Allen, "Match Point", e fiquei impressionado, pois é quase um "Crime e Castigo", com algum exagero... pensei que todo mundo lê Dostoievski, menos eu. E enquanto tudo isso acontece, a cidade parece não sair nunca desse frio absurdo, um castigo.


Friday, 3 February 2006

Sobre queijos



Gouda, Chèvre, Gruyère… No primeiro dia que fui ao supermercado aqui, fui desesperado procurar mozarela ou queijo prato pra comer com pão. Voltei pra casa com um Brie inteiro, e tive ainda a ousadia de fazer o tal sanduíche com pão. Comia e não acreditava, cheio de culpa, meio besta, um pouco feliz. No segundo dia de supermercado, resolvi que iria comprar um Emental. Comprei. Cheguei em casa com uma peça enorme. Sentei na mesa e comecei a cortar. Só depois de algum tempo lembrei que se tratava exatamente da casa do Super Mouse. Quem não lembra da casa dele? A casa que eu sempre quis morar: um queijo suíço! Então, ainda sob efeito do choque, coloquei um pedaço na boca. E não consegui não me emocionar, pois além dos buraquinhos perfeitamente redondos e de vários tamanhos, ele é doce! No terceiro dia de supermercado, resolvi exagerar ainda mais. Uma peça inteira de Cammembert e ainda outra de Roquefort. Descobri logo que o Cammembert reage com o vinho dando um gosto bom que não sei dizer como é. É bom e pronto. Igual gema de ovo com café, pão com manteiga com chá de erva cidreira, melão com leite, biscoito maizena com queijo de minas... coisas da química. O roquefort é mais complicado. Era, pois no natal na casa do Laurent, eu comi Roquefort com "endives" (não sei traduzir pra português... acho que é endívias) feito pela irmã dele, e fiquei impressionado. Outra vez a química.

Outro dia, uma colega, Céline, nos chamou – a mim, o Unai, a Anne e o Sergio – pra comer uma Tartiflette na casa dela. É uma torta salgada de batatas, bacon e toneladas de queijo. O nome do queijo é Reblochon e você coloca umas duas peças inteiras dentro desse negocio, uma bomba. Leva pro forno e tudo derrete. Pra engordar mais um pouco. Um dia, estávamos no restaurante universitário e surgiu a historia dos queijos franceses. Reclamei de cheiro deles. No que alguém respondeu que isso era o mais interessante. Justifiquei falando sobre o fedor do Roquefort. O Jean-Christophe respondeu que isso não era nada, pois existia mesmo o queijo mais fedorento da França e que esse era o Munster. Tão fedorento, mais tão fedorento, que uma vez aberto, ou você come todo ou joga no lixo o resto. Ele disse mesmo: mas ele é delicioso, só a casca fede! Bem, eu comi. E é delicioso, mas é quase carniça. Depois de um tempo você acostuma, e sem duvida todo mundo sabe o que você comeu... Um vizinho me contou que um outro dia chegou em casa e cismou que tinha um rato morto no apartamento dele. Depois de muito tempo lembrou do Munster aberto na geladeira. Coisas da França...