Gouda, Chèvre,
Gruyère… No primeiro dia que
fui ao supermercado aqui, fui desesperado procurar mozarela ou queijo prato pra
comer com pão. Voltei pra casa com um Brie inteiro, e tive ainda a ousadia de
fazer o tal sanduíche com pão. Comia e não acreditava, cheio de culpa, meio
besta, um pouco feliz. No segundo dia de supermercado, resolvi que iria comprar
um Emental. Comprei. Cheguei em casa com uma peça enorme. Sentei na mesa e
comecei a cortar. Só depois de algum tempo lembrei que se tratava exatamente da
casa do Super Mouse. Quem não lembra da casa dele? A casa que eu sempre quis
morar: um queijo suíço! Então, ainda sob efeito do choque, coloquei um pedaço
na boca. E não consegui não me emocionar, pois além dos buraquinhos
perfeitamente redondos e de vários tamanhos, ele é doce! No terceiro dia de
supermercado, resolvi exagerar ainda mais. Uma peça inteira de Cammembert e
ainda outra de Roquefort. Descobri logo que o Cammembert reage com o vinho
dando um gosto bom que não sei dizer como é. É bom e pronto. Igual gema de ovo
com café, pão com manteiga com chá de erva cidreira, melão com leite, biscoito
maizena com queijo de minas... coisas da química. O roquefort é mais
complicado. Era, pois no natal na casa do Laurent, eu comi Roquefort com
"endives" (não sei traduzir pra português... acho que é endívias) feito
pela irmã dele, e fiquei impressionado. Outra vez a química.
Outro dia, uma
colega, Céline, nos chamou – a mim, o Unai, a Anne e o Sergio – pra comer uma
Tartiflette na casa dela. É uma torta salgada de batatas, bacon e toneladas de
queijo. O nome do queijo é Reblochon e você coloca umas duas peças inteiras
dentro desse negocio, uma bomba. Leva pro forno e tudo derrete. Pra engordar
mais um pouco. Um dia, estávamos no restaurante universitário e surgiu a
historia dos queijos franceses. Reclamei de cheiro deles. No que alguém
respondeu que isso era o mais interessante. Justifiquei falando sobre o fedor
do Roquefort. O Jean-Christophe respondeu que isso não era nada, pois existia
mesmo o queijo mais fedorento da França e que esse era o Munster. Tão fedorento,
mais tão fedorento, que uma vez aberto, ou você come todo ou joga no lixo o
resto. Ele disse mesmo: mas ele é delicioso, só a casca fede! Bem, eu comi. E é
delicioso, mas é quase carniça. Depois de um tempo você acostuma, e sem duvida
todo mundo sabe o que você comeu... Um vizinho me contou que um outro dia
chegou em casa e cismou que tinha um rato morto no apartamento dele. Depois de
muito tempo lembrou do Munster aberto na geladeira. Coisas da França...
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