I gonna go
to the travel agency tomorrow. I look for a flight to Paris because I need to
walk there again… by underground. I wanna unmask the Paris’s subway, where I
could hide me from the world easily and, being a part of it at the same time.
I’d like to eat "crèpes" in front of the "George Pompideau"
museum, to talk about brazilian soccer with the salesman and, just after, to go
to the Sena river for seeing the "Notre Dame" light. A dark light.
And again, to drink Bordeaux wine while I feel the rain on face. It's cool, but
Paris rain takes a long time to wet. I don't want to visit
"Champs-Elysées": it's very boring. But I won't be tired to
walk in the
"Louvre". Nor even in the "Ile de Paris" slowly. My hotel
will be in "Montmartre". Perhaps, I'll find again that younger
wearing "havaianas"(flip-flops) and that lost girl in front of the
"Place de La Concorde" subway station. I'll invite them to go to the
Sena river. Maybe we'll also find a "marché au puce" there. I hope
that my subway tickets are useful to more than one time. Cause I have a meeting
with my friends, who are living in Europe, in front of the
"Bastille". We must rent a bike just to discover Paris in another
view. I'll eat "Gauffre au Nutella" on the corner, as a child does.
Then, we’ll visit the "Tour Eiffel" monument. Again, I should go
upstairs. By feet. I need to confirm which church is that where everybody see
it from the first floor. And another time I'll find the chineses upsetting me
and offering me wine to drink with them. And how difficult is to take a shower…
and wear the heavy coats. And the dark city light. I need to visit again the
"Musée d' Orsay" and after, to see a marriage ceremony at the "Petite
Palais". I wanna see again the Sena color river and to be scared with a
"Bateau Mouche" full of japaneses. I have to buy
"Madelaines" at the supermarket just to eat them while I read a book
at the "Jardin de Luxembourg" square. And if it’s sunny, I'll lie
down on lawn for a little. I don't wanna be in a hurry. I must go down to the
"Abesses" to walk distract there. Then, I should find a good
"Donner Kebab". Of course, I'll go to the "Gare de l'Est"
just to listen again the train announcing that it leaves the station to any
destination. I also have to listen children speaking French (much better than
me) because I’ll remember the same good feelings when I bought cheap books
"au marché". I gonna buy some cheeses, water glasses, CDs, videos…
and those "Paris 1900" publicity outdoors. I'll meet afterwards some friends at a nice
"bistrôt" in "Montmartre". And, as always, I must leave
Paris at night, underneath of a frozen wind, and a drizzle.
Monday, 23 October 2006
Sunday, 10 September 2006
Um ocidente ao ocidente do ocidente
E sem sentido mesmo deve parecer voltar pra esse país depois
de um ano. Ficamos tão confusos... Eu vejo a televisão, saio na rua, leio no
jornal. É época de eleição. Que coisa ridícula. É também tão sem sentido o que
se diz, o que se faz. As pessoas no meio disso tudo, como eu, sem saber onde
essa droga vai parar. Segurando uma faixa na mão durante o dia inteiro no sol
quente pra ganhar R$ 50,00 por semana. Cheguei no Rio com medo, quase um
estrangeiro. O que me choca em Sergipe não é exatamente o que me choca aqui no
Rio. A pobreza do nordeste ainda é pura. Aqui ela é nojenta. Sei bem que não
existe pobreza melhor que outra, mas posso livremente relativiza-la. Por que
não? Passei um ano sem medo de andar na rua. Passei um ano sem ouvir um
tiroteio. Moro em Copacabana e, apesar de ter a chance de não morar numa
favela, escuto todos os tiroteios do Pavão-pavãozinho. E sempre que ouço um
tiro penso em quem terá pagado com a vida – e mais uma vez – essa droga de
país. A gente é muito pouco exigente. Muito débil. A primeira vez que tive
consciência da nossa pobreza nojenta foi quando escutei de uma sergipana como
eu e "super politizada" que se ela encontrasse um celular na rua ela
não iria devolve-lo ao dono. Pois "aqui no Rio é assim". Fui pegar os
documentos de um carro que estava por acaso no meu nome no departamento de
trânsito de Sergipe. Depois de uma semana inteira perdida de idas e vindas na
procura de mais formulários e burocracias, acabamos sendo informados de que eu
não poderia ser dono do carro. Na mesma semana descobrimos que se pagássemos a
mesma quantia que aquele moleque ganha pra segurar aquela faixa de propaganda
política na rua, eu poderia ser dono do carro. Uma vez um amigo disse-me que
tinha vergonha de dizer que era brasileiro. Eu não tenho. O que eu tenho mesmo
é pena. Será que um dia irá adiantar muito dizer que eu e você somos diferentes
da maioria? Sim, pois se você me lê
agora, é porque, no mínimo você tem o que comer quando sentir fome. Mais que
isso, você deve mesmo ter acesso a varias coisas e saber exatamente de onde
surgiu o Brasil. A Europa no declínio do sistema feudal, superpopulação, fome,
miséria, e a solução mais apropriada: conquistar novas terras mundo afora.
Solução também pra igreja católica em decadência. Promessa de riqueza. Ao contrario
da América do Norte, nossa colonização foi exclusivamente exploratória. Nada de
vontade de construir um novo país, um país pra se viver. Até hoje carregamos
isso conosco. A herança de sermos todos católicos. E pobres, miseráveis, sem
teto, sem nada. Como me disse um outro amigo que hoje mora em Portugal, o
incômodo de se andar no seu próprio país e se sentir um estrangeiro. E quem
ainda não assistiu ao filme "Amarelo manga"? Nós somos aquilo. Como a
"loiraça" amarela "boazuda" que vende no bar, vamos sempre
ter um grito alto, difícil de compreender, ininteligível mesmo pra nós mesmos,
e, como nos sonhos mais pesados, ninguém vai nos ouvir. Estamos sozinhos nessa
luta. Eu e você.
Saturday, 2 September 2006
Sergipano-carioca-alsaciano
Bem, esse será
meu ultimo texto aqui uma vez que não vejo mais sentido algum escrever sobre
"Um preto em Mulhouse". Como disse em algum outro texto, as coisas
acabam. Pois bem, Mulhouse ficou lá na Alsacea, parada. E é tão engraçada a
existência das coisas. A vida secreta das coisas. A minha vida não foi secreta
em Mulhouse. E consegui mesmo aprender tantas coisas. Não sei se me tornei pior
ou melhor... isso não me interessa tanto. O que sei é que quem sou hoje me faz
bem. Antes de partir, fizeram uma festa de despedida pra mim e entre outras
coisas, resolveram fazer varias brincadeiras comigo pra ver se eu tinha
aprendido a "ser alsaciano". Achei engraçado. E acabei descobrindo,
de olhos vendados e pelo sabor, qual a água de Mulhouse no meio de outras
quatro, e ainda reconheci corretamente três vinhos alsacianos (pinot gris,
riesling e gewurtz) e um basco. A tarefa mais fácil foi reconhecer pelo gosto
três tipos de queijo: cammembert, munster e brie. A mais difícil, escolher
todos os ingredientes prováveis do Kougloupf e fazê-lo ali mesmo no meio da
festa. E, tratando-se de quem eram os meus amigos, isso foi até as ultimas
conseqüências: colocamos o resultado do teste no forno e ainda comemos. Coisa
horrível! Acabei acertando todos os itens, menos esse. Nem eu mesmo sabia sobre
o que eu conhecia. E fiquei assustado. E tão comovido com as coisas que escutei
de cada um; eu sou cada um deles. Hoje desconfio um pouco das pessoas que vem
me falar da frieza dos franceses. Porque seria igualmente preciso conhecer a
fundo o Brasil pra deixar de falar de mulata sambando no Rio de Janeiro. Eu
vivi aquela terra de uma outra forma. Na verdade, eu acho que estive aberto às
pessoas. Queria aprender, queria sentir os gostos, o céu, o frio... tentei
falar perfeitamente a língua deles, coloquei baguette debaixo do braço,
dispensei o guarda-chuva, comi queijo como sobremesa... e passei mesmo a mão em
cada arvore, em cada pedra. Respeitei até o ultimo momento o seu modo de ser.
Até fiquei quatro dias sem tomar banho! Só pra poder chegar aqui e dizer
(saber) que existe um outro mundo. Um velho mundo, apaixonante, chamado França.
E eu agora sou um sergipano-carioca-alsaciano, preto no verão e amarelo no
inverno.
Friday, 18 August 2006
Nine out of ten movie stars make me cry
Todo mundo sabe
que as coisas começam. E terminam. E tem também o meio de tudo. Mas o começo de
tudo é sempre complicado, desorganizado e desconhecido. O começo mais comovente
que eu já vi foi num filme do Gregg Araki chamado "Misterious skin".
Você se senta na cadeira e a imagem começa a aparecer levemente na tela, mas é
impossível se identificar qualquer coisa. Algo meio fora do foco, difícil,
angustiante pra quem acaba de entrar no cinema depois de ter reconhecido, na
entrada do cinema, os mesmos espectadores de todos os últimos filmes. Depois de
muito tempo, talvez alguns vinte segundos, você se dá conta de que algo se
move, de cima pra baixo, mas ainda é impossível identificar uma imagem real.
Porque ela é filmada de muito perto. Sim, é isso. O inicio de "Exils"
é também super excitante. Na verdade o filme inteiro – puro sexo. Em
"Billy Elliot", quando o personagem salta (dança?) numa cama elástica
ao som de uma vitrola, pra mim é o signo real daquilo que todo mundo chama de
liberdade. Infelizmente, ou felizmente, a primeira vez que vi esse filme foi em
casa. Se fosse no cinema, com certeza eu seria outra pessoa hoje. Quando vi
"Va, vis et deviens" no cinema, a primeira cena foi uma pancada. Uma
cena longa sem quase nenhum diálogo, mas que te fala sobre todas as historias
de todas as vidas. Duro, seco, forte, corajoso... eu só chorava. Em compensação
nunca gosto muito dos fins. O único de que gostei muito depois de um ano de
cinema intensivo aqui foi o de "Respiro". Aquela dança de pés
flutuando dentro d'água ao som daquela musica incrível, alto mar. Às vezes eu
tenho tanta alegria de saber nadar. Mas tem também o meio. Em
"C.r.a.z.y", vi uma cena muito reveladora. Uma briga onde todo mundo
se bate no meio de um jantar de Natal em família. A cena é dada quadro a quadro
ao som de uma musica genial. Não lembro direito, mas acho que era uma opera. No
entanto, o filme completo de que mais gostei aqui foi aquele. Ele acaba de
saber que a mulher mais bonita do festival, apesar de ter se insinuado pra ele,
não esta a fim de uma relação. Ou seja, um fora enorme. Mas, como num filme,
durante uma apresentação de rock ao som de "Wonderwall" do Oasis, ele
percebe de repente que outra mulher super linda e misteriosa olha pra ele. Ele
sorri, ela também, e os dois cantam juntos a mesma musica sem desviar o olhar:
there are many things that I would like to say to you, I don't know how... e a
própria letra da musica fica sendo o primeiro dialogo entre eles. Durante o
filme, ele vai se deitar no tobogã das crianças, meio pensativo, e ao invés de
ver o filme, ele se da conta de que as constelações que aparecem no hemisfério
norte são completamente diferentes das do hemisfério sul. Coisa inútil. De
repente, a mulher misteriosa vai sentar do seu lado e eles começam um dialogo
"de trem" como em "Eternal sunshine of the spotless mind".
Ela diz mesmo que sabe que vai casar-se com ele. E ele sabe que não é verdade,
assim como ela, e por isso mesmo os dois vão dançar uma antiga valsa francesa,
sob um céu de estrelas estranhas, sentindo o quase frio do verão francês. O
filme termina com os dois caminhando, ainda ao som da valsa, numa direção
desconhecida.
Friday, 4 August 2006
Perdas e ganhos
Quando o Brasil
perdeu da França todo mundo veio me perguntar no outro dia se eu não estava
triste. Mas a gente precisa perder... até os alemães perderam a vergonha!
Perder, às vezes, pode ser melhor que ganhar. Mulhouse ganhou um trem novo,
amarelo, lindo. Eu perdi minha cor preto amarelado. Anne ganhou uma bronca do zelador
da piscina quando passou pelo jardim. Os italianos ganharam a Copa. O Zidane
perdeu a razão. Os franceses perderam o ídolo. Eu perdi o nome
"telha", em francês. Anne ganhou um livro da Clarice Lispector em
francês. O lago de Kruth ganhou três nadadores. O trem quase nos perdeu. Meu
manjericão perdeu varias folhas numa macarronada. Eu acho que vou perder alguém
de quem gosto muito. O trevo de quatro folhas ganhou duas flores. Ganhei essa
musica de presente. E acho que ganhei mais moedas do que devia no trem. É isso,
a gente perde. A gente acha. Acho que.
Subscribe to:
Posts (Atom)