Saturday, 18 January 2020
Agrião e rúcula?
Já adulto, quando provei limão siciliano pela primeira vez, veio-me à cabeça uma sensação que, na época, eu não entendia direito: o limão do biscoito recheado que a gente comia quando criança em Areia Branca não era o mesmo limão que dava no fundo do quintal de casa. Na verdade, o gosto que sempre fazia a nossa festa de infância era desse dito limão siciliano, que eu nem sabia que existia. Aliás, tem uma cena da minha quinta série que não esqueço jamais; uma cena de quando saí do interior pra estudar em Aracaju no Graccho Cardoso. O Graccho era um colégio elitista, na época. O professor Anderson Sanches (querido professor!) falou na aula de história, e eu não lembro exatamente o contexto, da importância de se comer agrião e rúcula no nosso dia-a-dia. Eu, nascido e criado em Areia Branca, uma cidade sem qualquer importância no meio do menor estado do País, saindo dos anos 80, nunca tinha visto agrião ou rúcula na minha vida real. As únicas folhas que a gente conhecia bem eram couve e alface. Foi, provavelmente, a primeira vez que eu senti de verdade que existia um mundo que escondiam da gente.
Subscribe to:
Posts (Atom)