Tuesday, 29 June 2010
Vida obliqua
Bem sei que há um desencontro leve entre as coisas, elas quase se chocam, há um desencontro entre os seres que se perdem uns aos outros entre palavras que quase não dizem mais nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um encontro brusco face a face com ela nos assustaria... E eis que sinto que em breve nos separaremos. Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e a minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver.
C.L.
Thursday, 10 June 2010
Moonlight sonata
São 1h34 da manhã e me parece que o mundo inteiro dorme. Não sei por que razão acordei. Na verdade, apesar de consciente, ainda estou naquele limiar entre estar acordado e dormir. Lento. Num first movement. Quase moonlight sonata (que não devia me fazer chorar)... e então, pouco a pouco, a lua surge entre as nuvens pesadas e o fundo claro das noites de junho. Entra pela janela do meu quarto, me deixando levemente prateado. Clair de lune. Ligeiramente plus vite. Au-dessus de minha cabeça, também sem razões aparentes. O mundo não parece fazer sentido as 1h34 da manhã.
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