Isso aqui podia ser um
pedido, mas também podia ser uma risada, ou mesmo o final de um dia, ou um
sermão de pai na hora do café, ou uma declaração de amor, ou um bolo de
chocolate, ou um abraço bem demorado, ou aquele momento desconhecido logo antes
de dormir... bem, mas isso é só um presente. Pra uma pessoa especial.
Saturday, 8 September 2007
Saturday, 30 June 2007
De noite
I was
standing in front of a bus station. But I didn't want to take a bus. Maybe I
was waiting for something else. It was time to return home and it was raining.
I got used to be under the rain without a coat or an umbrella. It's pretty good
to do that and you can try if you want! Freedom can be that. So, I waited and
waited and at last something happened. The rain was gone, and I was completely
wet. Finally, I got on a bus and went home. I was tired out and kept looking
through the window. The first bus stop passed and nothing new happened in my
life. The second one was gone and as usual everything remained very quiet in my
mind. At any rate I ought to say to you that deep inside me I wasn't expecting
for anything. Now I know that. I saw some children playing on a corner, an old
lady walking slowly around a square, and a motherfucker robbing the meal of a
dog. But inside that scene, somebody looked me. Somebody was spying my being, I
felt that. And when I looked at my left side, inside another bus, I could see a
strange guy with a rastafari hair wearing a black hat. He gave me a smile and I
mechanically responded to his smile with another smile. Actually, I wasn't
looking for anything, not even a smile. And then, it was exactly what I found
out. I wasn't prepared. Besides I was sure that guy knew the untouched places
of my being. These places where I've never been to myself. And in no more than
a second I could also know about his being, his soul. He was a student, maybe
an engineer student waiting for answers outside the books. Outside the numbers.
Outside the equations. Because he knew that the things are not inside but
always outside.
to a Mr
Grozev
De tarde
E na poça do sapo
Era neném quem corria
Na explosão do telhado
De areia branquinha
A velha dizia
E eu me escondia
Era sábado à tarde
E ela sabia
O bolo era barro
Mas na bola, perdia
E de bolo vivia
Um dia, no alto
O piolho crescia
Era novo, o retrato
E a vida, magia
Porque lá dentro, no quarto
O silêncio não vinha
O cabelo cortado
Do disco se ouvia
E a gravata era suja
Era doce, a mãozinha
Picolé no riacho
Tudo dentro do poço
Tudo sujo de novo
Ainda sujo, que nojo
Eu dizia, menino
E do mato surgia
Era feio, era torto
Mas o peixe vivia
E se um dia ele ouvia
Mordia fundo a plantinha
E do veneno medroso
A amizade vivia
Era à tarde, à tardinha
O joguinho na esquina
E se outro dia ele ouvia
É que chorar não podia
Mas o carro era duro
E a pista, sozinha
Porque no vento tristonho
E no riso sincero
Existia a tardinha
E quando o esgoto descia
Todos os barcos traziam
Toda aquela alegria
De uma goiaba verdinha
Pois o dia era grande
E a vida, magia
Na explosão do telhado
De areia branquinha
A velha dizia
E eu me escondia
Era sábado à tarde
E ela sabia
O bolo era barro
Mas na bola, perdia
E de bolo vivia
Um dia, no alto
O piolho crescia
Era novo, o retrato
E a vida, magia
Porque lá dentro, no quarto
O silêncio não vinha
O cabelo cortado
Do disco se ouvia
E a gravata era suja
Era doce, a mãozinha
Picolé no riacho
Tudo dentro do poço
Tudo sujo de novo
Ainda sujo, que nojo
Eu dizia, menino
E do mato surgia
Era feio, era torto
Mas o peixe vivia
E se um dia ele ouvia
Mordia fundo a plantinha
E do veneno medroso
A amizade vivia
Era à tarde, à tardinha
O joguinho na esquina
E se outro dia ele ouvia
É que chorar não podia
Mas o carro era duro
E a pista, sozinha
Porque no vento tristonho
E no riso sincero
Existia a tardinha
E quando o esgoto descia
Todos os barcos traziam
Toda aquela alegria
De uma goiaba verdinha
Pois o dia era grande
E a vida, magia
para um Cristiano
De manhã
Je me suis réveillé. J'étais
triste. Il y avait le soleil sur moi. J'ai dit non. J'ai raté l'université. Une
petite promenade le matin sur le sable à Ipanema. Sans un horaire exact pour
rentrer. De l'eau de noix de coco. La mer était très froide. Horriblement
froide. J'ai dit non à la mer. Des embouteillages sur les rues. Moi, j'étais à
pied. Des petites annonces pour la rentrée scolaire. Une affiche sur une fête
electro au musée d'art moderne de Rio. J'étais encore muet. Une odeur de
poisson pourris au Arpoador. Non, je ne veux pas, merci. Encore des problèmes
avec le trafic aérien. Pauvre gens. Riches gens. Moi, j'ai dit non. Qui peut
lire un journal entièrement au Brésil? Il existe des intéressés. Ma tristesse
est quasiment une joie. Lula ne marche pas bien. Mais j'ai encore un billet
d'avion ouvert pour rentrer chez mes parents. Une amie va fêter bientôt deux
ans de mariage. C'est peu, non? Mais le temps passe vite… "je vous rassure
que la plus haute expression de la douleur vient directement de la joie".
Toujours de la samba. Toujours des écrivains nuageux. Et chez moi, j'ai un
nouveau filme à voir. Je jure que je ne vais pas regarder le début. Je vais
directement à la fin. Il y a très longtemps que j'ai besoin de la fin. En fait,
je n'ai pas besoin de rien. Car je suis un très bon garçon. Mais pourquoi
faire? Autre jour j'ai tapé exprès un mec au cours de capoeira. Il ne sait pas.
J'ai juste raté le mouvement. Et j'ai ouvert une bouteille de vin. Je ne veux
plus la capoeira. Je ne veux plus des secrets. Vin chilien. Une Tartiflette.
Oui, j'ai décidé de le faire. J'ai veux la joie de pourvoir être. J'ai essayé
les ingrédients. Je déteste des préjuges. Le goût était quasiment le même.
Avez-vous déjà ouvert la bouche pour boire de l'eau sur la pluie? Quel est le
goût? Mais le vin n'était pas français. Ni les amis. Il était déjà nuit autre
fois. Et tout le monde dormait.
à un Laurent
Friday, 4 May 2007
Outside
Everything
was all right when I woke up this morning. She was right there, close to me, in
bed. I felt her warm body. And right here in this strange hall without life,
right now, I can feel her body. There isn't light in here. My house has changed
into a desert. I'm going around her portrait and little by little I remember
the first phrase that I eavesdropped right after I woke up…"and transform
the troubles into good feelings". The TV was turned on and probably that
phrase came from it. I never watch TV but I was really tired out to turn it
off. She left me this morning saying to me: everything is gonna be altight. And
I still don't know what it means. While I was opening the door for her I
managed to asked her if she would return before diner. I was scared and cold.
She said to me: never mind. All the time, I knew that something still remained
unsaid in our relationship. Until now.
Sunday, 15 April 2007
Profano?
Hoje alguém perguntou se eu já tinha dado a minha
contribuição pra campanha do Cristo. Vote no Cristo como uma das sete
maravilhas do mundo! Como assim? Tive vontade de rir. Na verdade, foi o que
fiz. A pessoa que me perguntou, claro, nem quis saber porque eu sorria. É que
ela deve ter pensado enquanto eu sorria: e as pirâmides misteriosas, o canal de
Suez metade azul metade vermelho, a torre Eiffel nuazinha, e a muralha da China
vista da lua, e New York by underground, e a Notre Dame sem cabeças, e a poeira
do Parque Güell, o Pantheon, e a estação espacial, e o coração artificial que
não sente, e o sorvete de manga com gengibre, e os micros, o os nanos, e os
azulejos bregas de Portugal, e o acarajé, e o avião, e as caravelas, e os
castelos medievais de Provence, e a lâmpada amarela, e o papel higiênico, e o
Pássaro de Fogo, e as escadas da Pedra do Sal, e o Recife antigo fedorento, e
os arranha-céus da boca paulista, e o túnel Rebouças, e a cachaça Saia Justa, e
Paris mal humorada, e seu celular que não funciona, e o bolo de chocolate com
café sem açúcar? Chega!
Saturday, 24 March 2007
Particípios passados
Tenho desistido subitamente de ligar para
algumas pessoas. Tenho andado muito de metrô ultimamente. Tenho pensado muito
em números. Tenho comido muito pouco. Tenho ido ao supermercado sem camisa.
Tenho tido muitas dores. Tenho sido muito tolerante. Tenho estudado muito
inglês. Tenho faltado a muitas aulas de capoeira. Tenho achado tudo chato e
desinteressante. Tenho bebido muita cerveja. Tenho achado muito dinheiro
perdido nas minhas roupas. Tenho escrito muito pouco. Tenho ouvido muito Radiohead.
Tenho lido muito pouco. Tenho recebido muitos e-mails. Tenho respondido muito
pouco. Tenho lavado muito pouco as minhas roupas. Tenho escovado demais os
dentes. Tenho usado um perfume fora de linha. Tenho comido muito sanduíche no
Cervantes. Tenho tido pouca paciência pra explicar coisas. Tenho sentido muita
pena de gente imbecil. Tenho dito muitas verdades. Tenho guardado muitas
verdades. Tenho gostado de falar sobre o que não sei. Tenho escutado muitas
besteiras. Tenho chorado muito pouco. Tenho esquecido de comprar papel
higiênico. Tenho andado muito de sandália. Tenho pensado muito pouco. Tenho
fugido de algumas pessoas. Tenho desaparecido de alguns lugares. Tenho
desrespeitado algumas leis. Tenho gostado de ficar sozinho. Tenho esperado
muitas respostas. Tenho sentido muito calor. Tenho indo muito a praia. Tenho
feito muita sopa. Tenho ido (surpreendentemente) a muitas festas. Tenho me
sentido vigiado. Tenho tido alegrias tão loucas. Tenho lavado muito prato.
Tenho ido muito ao dentista. Tenho sido malvado. Tenho desarrumado muito meu
guarda-roupa. Tenho presenciado muitas injustiças. Tenho comprado muita manga.
Tenho tocado muito nas coisas. Tenho tomado muita bronca. Tenho enjoado o meu
apartamento. Tenho sentido muitas saudades. Tenho encontrado muita gente boa.
Tenho escutado muito árabe. Tenho me apaixonado toda semana. Tenho dito muito
sim. Tenho sido muito besta. Tenho me enraivado muito pouco. Tenho enjoado
desse cabelo raspado. Tenho visto muito minha bunda branca. Tenho tido muita
preguiça. Tenho esquecido de beber vinho. Tenho descoberto varias coisas já
vistas. Tenho me cortado demais. Tenho ficado com a caligrafia cada dia mais
caótica. Tenho esperado muito pouco. Tenho me atrasado demais. Tenho sido uma
equação.
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