Saturday, 30 June 2007

De tarde

E na poça do sapo
Era neném quem corria
Na explosão do telhado
De areia branquinha
A velha dizia
E eu me escondia
Era sábado à tarde
E ela sabia

O bolo era barro
Mas na bola, perdia
E de bolo vivia
Um dia, no alto
O piolho crescia
Era novo, o retrato
E a vida, magia

Porque lá dentro, no quarto
O silêncio não vinha
O cabelo cortado
Do disco se ouvia
E a gravata era suja
Era doce, a mãozinha
Picolé no riacho
Tudo dentro do poço
Tudo sujo de novo
Ainda sujo, que nojo
Eu dizia, menino
E do mato surgia

Era feio, era torto
Mas o peixe vivia
E se um dia ele ouvia
Mordia fundo a plantinha
E do veneno medroso
A amizade vivia

Era à tarde, à tardinha
O joguinho na esquina
E se outro dia ele ouvia
É que chorar não podia

Mas o carro era duro
E a pista, sozinha
Porque no vento tristonho
E no riso sincero
Existia a tardinha
E quando o esgoto descia
Todos os barcos traziam
Toda aquela alegria
De uma goiaba verdinha
Pois o dia era grande
E a vida, magia




para um Cristiano

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