O centro de Strasbourg é bem pequeno, mas as ruas são super confusas. E às vezes, andando sozinho à noite, acabo me assustando com algumas delas. Parece que estou num filme da idade média na Europa. Mas o que tem de mais engraçado nas ruas de Strasbourg são os seus nomes. Todos muito curiosos. Por exemplo, tenho uma amiga que mora na rua da brincadeira das crianças (rue des Jeux des Enfants), que é também a rua do melhor cinema da cidade. E pra chegar lá eu sempre gosto de ir pela rua do velho mercado dos vinhos (rue du Vieux Marché-aux-vins). Saindo do cinema, eu posso pegar a grande rua (Grand rue) até chegar à rua do banho de plantas (rue du Bain aux Plantes), passando pela rua da moeda (rue de la Monnaie). Isso, claro, se eu não me sentir bem em passar pela rua dos moinhos (rue des Moulins). Porque é sempre melhor comer um Doner Kebab na rua do velho mercado dos peixes (rue du Vieux Marche-aux-poissons) e depois ir andando pela rua do porco-do-mato (rue du Sanglier) só pra me assustar com a visão da igreja triste ao fundo da rua queimada (rue Brulée). E ai eu preciso sair correndo pela rua da cruz (rue de la Croix), do lado da rua dos judeus (rue des Juifs), até chegar ao cais de areia (Quai au Sable). E de lá eu posso escolher entre ir pela rua das vacas (rue des Veaux) ou voltar pela rua dos casais (rue des Couples), mesmo sabendo que essa rua fica bem perto da praça do corvo (Place du Corbo). Mas existem alguns itinerários mais divertidos. Por exemplo, chegar à estação de trem e sair de bicicleta em toda velocidade pela rua da corrida (rue de la Course), virar a esquerda na rua deserta (rue Deserte) e me deixar queimar completamente como uma bruxa na rua do fogo (rue du Feu).
Friday, 15 August 2008
Monday, 4 August 2008
Luxembourg
Da minha janela eu olho precisamente e sempre na mesma direção. Eu sei que atrás daquelas chaminés todas mora a capital de Luxembourg. E essa é a minha direção mais alegre nesse momento. Sempre que acordo, adoro abrir a janela, me projetar todo pra fora e, quase caindo do prédio, sentir aquele frio calmo da manhã, olhando atentamente o céu azul que, pra mim, deve pairar exatamente sobre as cabeças dos luxemburgueses. Eu nuca estive lá. E não gastaria mais de uma hora pra estar lá. Mas quando olho pela janela, tudo parece tão longe... tão longe quando o Brasil... e assim, acabo me alegrando só pela sua proximidade física (igualmente real pra mim). O que eu veria em Luxembourg? O que me diriam os luxemburgueses? Quais seriam as cores dos sinais de trânsito nas ruas? Na verdade, eu sempre gostei de saber das coisas fisicamente próximas sem que fosse preciso chegar até elas. Minha irmã, um dia, deitada na minha cama de jaqueira em Areia Branca, falando sobre a minha obsessão em me apaixonar perdidamente (e re-afirmo, perdidamente) por pessoas sempre impossíveis – ou indisponíveis – foi a responsável por me fazer compreender, dias atrás, abrindo minha janela, que essa obsessão parece realmente uma escolha sempre presente na minha vida. Mas só até hoje. Porque eu acabei de comprar uma passagem de trem pra Luxembourg e a partir de hoje nunca mais minhas escolhas serão impossíveis. Chega de impossibilidades na minha vida! Pessoas inacessíveis, lugares impossíveis, idéias ininteligíveis. Eu quero a realidade pulsando forte entre minhas mãos. E nada mais.
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