Monday, 4 August 2008

Luxembourg


Da minha janela eu olho precisamente e sempre na mesma direção. Eu sei que atrás daquelas chaminés todas mora a capital de Luxembourg. E essa é a minha direção mais alegre nesse momento. Sempre que acordo, adoro abrir a janela, me projetar todo pra fora e, quase caindo do prédio, sentir aquele frio calmo da manhã, olhando atentamente o céu azul que, pra mim, deve pairar exatamente sobre as cabeças dos luxemburgueses. Eu nuca estive lá. E não gastaria mais de uma hora pra estar lá. Mas quando olho pela janela, tudo parece tão longe... tão longe quando o Brasil... e assim, acabo me alegrando só pela sua proximidade física (igualmente real pra mim). O que eu veria em Luxembourg? O que me diriam os luxemburgueses? Quais seriam as cores dos sinais de trânsito nas ruas? Na verdade, eu sempre gostei de saber das coisas fisicamente próximas sem que fosse preciso chegar até elas. Minha irmã, um dia, deitada na minha cama de jaqueira em Areia Branca, falando sobre a minha obsessão em me apaixonar perdidamente (e re-afirmo, perdidamente) por pessoas sempre impossíveis – ou indisponíveis – foi a responsável por me fazer compreender, dias atrás, abrindo minha janela, que essa obsessão parece realmente uma escolha sempre presente na minha vida. Mas só até hoje. Porque eu acabei de comprar uma passagem de trem pra Luxembourg e a partir de hoje nunca mais minhas escolhas serão impossíveis. Chega de impossibilidades na minha vida! Pessoas inacessíveis, lugares impossíveis, idéias ininteligíveis. Eu quero a realidade pulsando forte entre minhas mãos. E nada mais.

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