Wednesday, 26 February 2014

Mais um quase beijo




Deste-me inocentemente a mão, e porque eu a segurava é que tive coragem de me afundar. Mas não procures entender-me, faz-me apenas companhia. Sei que tua mão me largaria se soubesse.

C.L.

Saturday, 15 February 2014

Amigos


Hoje falou-se muito de moto contínuo, de ciclo de Carnot, de vida pelo eletromagnetismo, daquilo que não acaba. E eu penso que tenho muitas coisas que nunca acabam dentro de mim. Foi um jantar com amigos aqui em casa. Uns velhos, outros novos, mas todos amigos. Nem posso falar da comida. Essa era partidária! Desde que eu era criança, aprendi que amigo é aquela pessoa que a gente escolhe por ela te fazer melhor. Desde que aprendi isso sempre me senti na liberdade de procurar aquelas pessoas que me fazem bem. Mas tem uma dúvida que nunca saiu da minha cabeça desde criança: e eles, os amigos, eles também te escolheram porque se sentem melhor contigo? Sempre me perguntei o que um amigo vê em mim; essa pessoa desinteressante e ordinária que sou. Sem nada que faça brilhar. Sem chama acesa, sem gás. Sou isso. E ainda assim alguém consegue se interessar por mim... Acho que nunca vou conseguir responder bem essa questão. E nem sei se preciso responder essa questão. O fato é que sinto que mesmo apagado, parece que eu tenho algo que é vivo. E que nunca acaba. E provavelmente esse algo vivo vem exatamente do que eu recebo desses amigos.

Tuesday, 4 February 2014

Atacama, de novo?


Tipo, ninguém vai querer voltar a visitar um lugar em que passou mal demais, vai? Claro que não! Agora, e se esse lugar fosse assim, o lugar mais lindo que você já esteve? Aí a pergunta não é mais óbvia, né sabidinho?! Pois é, isso mesmo! desde que voltei do deserto do Atacama (e ainda lá) eu me perguntava sobre se um dia eu iria voltar ou não. Era mais ou menos assim: aquela paisagem linda na sua frente e você nem consegue levantar o braço direito pra tirar foto; ou aquela água quentinha saindo no chão numa piscina clarinha e você não consegue nem tirar a roupa direito; ou aquele paredão lindo que você desce pra ver por baixo e já fica pensando se vai ter alguém te esperando com um balão de oxigênio lá em cima. Mas não fique aflito: isso não acontece com todas as pessoas! Apenas com os sortudos como eu. Nem tanto. Na verdade, na ida pros passeios a galera era só alegria, mas na volta a coisa começava a complicar. Tipo, 1/3 da galera tonta, enjoada, com vontade de vomitar, dor de cabeça, falta de ar, palpitação. Você tá pensando que é mentira, é? Pois pergunte a mais alguém que já foi! E é aquele tal de beber chá de coca, mascar folha de coca, cheirar alho, etc. Tudo besteira! A bagaçada não passa de jeito nenhum! Bem, mas isso tudo é pra dizer que eu comprei passagem para ir de novo ao Atacama agora nas férias. Sim. Não tô de sacanagem, não! Sério! Mas veja, a explicação para esse ato voluntario é que a beleza daquele lugar é muito mais forte que qualquer faltazinha de ar que alguém venha a sentir. Tipo, você sofre, mas não arreda o pé. Apanha mas gosta! E tem mais: os atacamenhos pré-históricos levavam os moribundos pra morrerem lá num lugar chamado hoje de Vale de la Muerte exatamente por isso. Mas era o lugar ideal: eu também morreria com gosto vendo aquele vulcão lindo na frente, o Lincancabur! E ainda nem precisava pagar o que os outros bestas do Egito pagavam para ter o corpo preservado por milênios a fio.