Saturday, 15 February 2014

Amigos


Hoje falou-se muito de moto contínuo, de ciclo de Carnot, de vida pelo eletromagnetismo, daquilo que não acaba. E eu penso que tenho muitas coisas que nunca acabam dentro de mim. Foi um jantar com amigos aqui em casa. Uns velhos, outros novos, mas todos amigos. Nem posso falar da comida. Essa era partidária! Desde que eu era criança, aprendi que amigo é aquela pessoa que a gente escolhe por ela te fazer melhor. Desde que aprendi isso sempre me senti na liberdade de procurar aquelas pessoas que me fazem bem. Mas tem uma dúvida que nunca saiu da minha cabeça desde criança: e eles, os amigos, eles também te escolheram porque se sentem melhor contigo? Sempre me perguntei o que um amigo vê em mim; essa pessoa desinteressante e ordinária que sou. Sem nada que faça brilhar. Sem chama acesa, sem gás. Sou isso. E ainda assim alguém consegue se interessar por mim... Acho que nunca vou conseguir responder bem essa questão. E nem sei se preciso responder essa questão. O fato é que sinto que mesmo apagado, parece que eu tenho algo que é vivo. E que nunca acaba. E provavelmente esse algo vivo vem exatamente do que eu recebo desses amigos.

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