Tuesday, 5 June 2012

Língua mãe



Sabe aquele verso que diz que de perto ninguém é normal? Pois então, quando eu escuto as histórias que as pessoas me contam, confirmo isso a cada minuto. Até cheguei a pensar que eu, com esse jeito meio gauche de gostar das coisas, pudesse também ser anormal. Mas que nada! Eu sou a pessoa mais normal do mundo! Ultimamente tenho escutado muita história maluca, e na maior parte das vezes, divertida. Esse negócio de ser chefe é complicado demais, em todos os sentidos. Por exemplo, pessoas desconhecidas acham que podem chegar na sua sala, fechar a porta e contar sua vida inteira, muitas vezes pra justificar malfeitos. E pior, que você deve ter alguma salvação pra elas. Não, isso não é o pior, como diz um amigo, o pior de ouvir confidências de alguém que você não conhece é que depois ele vai te cobrar involuntariamente que você também se confesse, e que derrame sua vida nos seus ouvidos. Uma espécie de pacto: eu te conto tudo e você me conta tudo, assim ninguém deve nada a ninguém. Bem, as pessoas percebem logo que não caio nesse jogo, que só consigo falar da minha maluquice de vida com algumas pessoas, e isso é o suficiente para que elas não me procurem mais. Algumas, entendendo verdadeiramente o que sou, continuam contando, e eu acabo me divertindo com muitas dessas histórias. Mas a verdade é que é cansativo escutar a vida intima de desconhecidos. E tenho aprendido a dizer não. Às vezes, eu sinto falta de ter os espasmos de quando morava fora do país onde, muitas vezes, no meio de uma discussão na língua estrangeira, eu conseguia levantar voo, escutando tudo que todos diziam, mas sem que aquelas palavras me atingissem e fizessem algum sentido na minha cabeça. Já tentei fazer isso aqui, mas nunca consegui. Língua mãe é língua mãe, não tem como correr! (bem, na verdade, não era bem isso que eu queria escrever aqui. Queria mesmo era compartilhar essas histórias malucas que me contam, mas não sei se posso...vou pensar num jeito de ser menos pessoal)