Sabe aquele verso que diz que de perto ninguém é
normal? Pois então, quando eu escuto as histórias que as pessoas me contam,
confirmo isso a cada minuto. Até cheguei a pensar que eu, com esse jeito meio gauche de gostar das coisas, pudesse
também ser anormal. Mas que nada! Eu sou a pessoa mais normal do mundo! Ultimamente
tenho escutado muita história maluca, e na maior parte das vezes, divertida.
Esse negócio de ser chefe é complicado demais, em todos os sentidos. Por
exemplo, pessoas desconhecidas acham que podem chegar na sua sala, fechar a
porta e contar sua vida inteira, muitas vezes pra justificar malfeitos. E pior,
que você deve ter alguma salvação pra elas. Não, isso não é o pior, como diz um
amigo, o pior de ouvir confidências de alguém que você não conhece é que depois
ele vai te cobrar involuntariamente que você também se confesse, e que derrame
sua vida nos seus ouvidos. Uma espécie de pacto: eu te conto tudo e você me
conta tudo, assim ninguém deve nada a ninguém. Bem, as pessoas percebem logo
que não caio nesse jogo, que só consigo falar da minha maluquice de vida com
algumas pessoas, e isso é o suficiente para que elas não me procurem mais.
Algumas, entendendo verdadeiramente o que sou, continuam contando, e eu acabo
me divertindo com muitas dessas histórias. Mas a verdade é que é cansativo
escutar a vida intima de desconhecidos. E tenho aprendido a dizer não. Às vezes,
eu sinto falta de ter os espasmos de quando morava fora do país onde, muitas
vezes, no meio de uma discussão na língua estrangeira, eu conseguia levantar
voo, escutando tudo que todos diziam, mas sem que aquelas palavras me
atingissem e fizessem algum sentido na minha cabeça. Já tentei fazer isso aqui,
mas nunca consegui. Língua mãe é língua mãe, não tem como correr! (bem, na
verdade, não era bem isso que eu queria escrever aqui. Queria mesmo era
compartilhar essas histórias malucas que me contam, mas não sei se posso...vou
pensar num jeito de ser menos pessoal)