Ninha, que não é
tão pequena assim como o nome indica, é uma das figuras mais imponentes aqui em
casa. Desde que ela chegou para trabalhar aqui, ajudando na cozinha, nunca mais
o nosso rádio teve sossego: fica ligado o dia todo! Ela diz que nunca
conseguiria viver aqui sem um rádio funcionando. Não suportaria o silêncio da
cozinha. O fato é que ela é uma pessoa alegre no último, com muita energia,
simplicidade e espontaneidade. Tudo para ela tem um nome específico, criado sob
medida para designar aquilo que ela acredita estar vendo. Por exemplo, ela só
me chama de doutor.
- Doutor,
cheguei! grita alto todo sábado de manhã, que é o único dia que nos encontramos,
logo depois de entrar em casa.
Minha prima, que já tem o apelido de Neném, e que não deveria receber mais nenhum, foi devidamente
descrita como Branca de Neve, por
passar muito tempo no seu quarto no segundo andar da casa trabalhando (ela é
professora!). E se perguntamos:
- Ninha, onde
está Neném? Ela imediatamente
responde:
- Está nos aposentos dela, fazendo sabe-se deus o
quê!
Meu irmão, Vavau,
quando vem pra cá, adora ficar conversando com os amigos no bar de Neguinho. E se perguntamos:
- Ninha, sabe de
Vavau? Já tá na hora de almoçar! Ela
responde imediatamente:
- Ele deve estar no Comitê
do Negão.
Preciso explicar que Vavau
é cabo eleitoral de João Alves, ex-governador de Sergipe, que é apelidado pelos
sergipanos de Negão, e não sei de
onde ela tirou essa ideia de que o Bar de
Neguinho é o local de encontro dos cabos eleitorais de João Alves. Meu
irmão não tem juízo, nem ela, nem Neguinho...
Até as pessoas que vêm passar as férias aqui vão embora
com apelidos. A Fernanda foi embora com dois pseudônimos: “Sargento” e
“Stephany do Cross Fox”. O Guilherme, namorado da minha irmã, de “Bob Esponja”.
O meu primo, de “Bicicleta-do-cão-fazer-cobrança”.
Tem muito mais. Minha mãe transformou um tanquinho de
lavar roupas velho num local para guardar ferramentas, e toda vez que
precisamos de alguma coisa, dizemos:
Ninha, sabe onde
está a chave de fendas? No que ela responde:
- Só pode estar no Baú
da Felicidade!
Eu aprendi a guardar os meus tempero, conservas, e
novidades desse tipo que trago de outros países, quando viajo, no armário de
mais difícil acesso da cozinha. O que fica em cima do freezer. Assim o meu
material está sempre seguro! Então, outro dia eu estava fazendo uma comida
nova, uma receita diferente, e pedi distraído:
- Ninha, você
pode pegar a semente de papoula? E ela espontaneamente respondeu:
- Ela está onde? no Baú
da Macumbaria, é?
Não precisa nem dizer que eu quase morri de rir, né?