Wednesday, 14 December 2016

Aleppo e a insuportável dureza de ser...

Acabo de ler uma matéria sobre a crise na Síria onde se dizia que as mães começavam a pedir a líderes religiosos que pudessem matar as suas filhas antes que elas fossem estupradas (e, talvez, mortas) pelas milícias que ameaçavam entrar na cidade de Aleppo. Isso me deixou tão chocado. Tão chocado quanto quando li, pela primeira vez, sobre os horrores dos pogroms na Ucrânia do início do século XX, quando hordas de homens militares invadiam as casas dos judeus e estupravam as filhas, depois as mães, na frente dos pais, para depois matarem a todos. A vida, às vezes, é insuportável...
Vendo o vídeo de um rapaz que dizia ser suas últimas horas de vida em Aleppo, pois sabia que iriam invadir a cidade e matar a todos a qualquer instante, e que a ONU não significava nada ali, involuntariamente, me peguei já pensando em que quarto da casa iria abrigar todos eles. Lembrei muito da minha mãe nesse mesmo instante, pois sempre detestei o fato da nossa casa ter sempre gente estranha entrando e saindo todos os dias. Inclusive, morando conosco por tempos longuíssimos. Se alguém ficava doente, se alguém paria, se precisava estudar e morava longe, se alguém se separava, se alguém era expulso de casa, todos iam ser recebidos na nossa casa e conviver com a gente como gente da família. Hoje eu comunguei com ela desse sentimento que provavelmente ela já conhecesse muito melhor de que eu e de várias lutas anteriores... eu que nasci em berço de ouro.
Definitivamente, a vida é insuportável...