Outro
dia, entrando no Banco do Brasil da universidade, acabei sendo protagonista de
uma cena curiosa. Deixei o meu celular e meu molho de chaves na caixa para
poder passar no detector de metais. Tive que esperar um pouco, pois um rapaz da
minha idade estava também colocando o seu celular e também o seu molho de
chaves. Como estava com o computador na bolsa, logicamente, o aparelho emitiu o
mesmo sinal que emitiria se alguém armado, intencionalmente, estivesse tentando
entrar no banco. A segurança pediu para ver o interior da minha bolsa e eu
atendi ao seu pedido. Depois, achei melhor ir pegar de volta o meu celular e
chaves, antes que algum engraçadinho aproveitasse da situação para me roubar, o
que seria impossível, mas... O fato é que quando voltei, achei apenas o meu
molho de chaves, nada mais dentro da caixa. O rapaz que colocou as suas chaves
e seu celular antes de mim estava saindo do local e, naturalmente, eu disse:
ei, rapaz, meu celular! Não que eu tivesse certeza que ele era o responsável
pelo desaparecimento do meu celular, mas achei que algo nele me dava a
liberdade de falar assim. Ele, de forma assustadora e incrível, se virou,
retirou o meu celular do bolso dele e recolocou-o dentro da caixinha na porta
de entrada do banco. Como a segurança estava do lado eu lhe disse: você não vai
fazer nada? E ela me respondeu: fazer o quê? Eu respondi: se você não sabe o
que fazer, o que você espera que eu faça? Você acha que eu vou entrar na fila
do caixa do lado de uma pessoa que acaba de roubar meu celular? Bem, o fato é
que eu entrei no banco e enfrentei a tal fila do lado do cara que acabara de
roubar meu celular. Ele fingia que não me reconhecia. Eu, por minha vez, fingia
que nunca o tinha visto. E essa é a visão mais real desse nosso país.
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