Aquilo que nunca foi comprado.
Aquilo que sempre esteve na vitrine sem nunca ter sido. Como almas esperando o
grande dia. Qual dia? Hummmm... Mesmo assim eu compro. E eles vendem. Mas o que
se vende? Quando se compra? Porque, meus amigos, nada se compra, nada se vende.
Apenas o vazio nas mãos. E elas (as mãos) tentando em vão agarrar alguma coisa.
Aquilo que nunca esteve à venda.
Aquilo que não vemos na vitrine.
Aquilo que timidamente se esconde
atrás dos presentes mais preciosos.
E como é inútil levar pra casa um
desses presentes embalados tão criteriosamente. Como se é imbecil de acreditar
em presentes. Naquilo que secretamente se esconde dentro. Como se é imbecil em
acreditar em almas. Em compras e vendas. Em presentes.
Almas... todas vazias. Que só
escondem a terrível idéia. Também compradas em toda esquina.
Pessoas embaladas pra presente.
Nos e-bays da vida.
Sem ao menos podermos falar em
prazos de entrega.
Em validade.
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