E quem disse que somente no Rio de Janeiro
a gente pode abrir o jornal e ler em letras gigantes: PIPITA CONTINUA A
DESAFIAR A POLICIA E LEVA PANICO AO ESTADO INTEIRO. Pois é, desde que cheguei
aqui em Sergipe, não se falava em outra coisa nos jornais senão nas aventuras
horríveis de um menor de idade chamado Pipita. Na verdade, ele invadia casas e
sítios, alta noite, pra roubar e arranjar sexo “fácil”. Vez por outra, alguma
vítima reagia e ele acabava matando. Bem, isso sendo contado no Rio de Janeiro
seria uma história qualquer, possivelmente até banal. Mas aqui em Sergipe isso
ganha outros tons. Eu acho que já falei aqui nesse “blog” que o jornal de maior
circulação aqui em Sergipe, o Cinform (misto de noticiário e classificados...
talvez mais classificados que noticiários), me deprime bastante. Primeiro
porque não posso achar nada de interessante nos segundos cadernos. Segundo
porque o jeito que as notícias são contadas é algo super provinciano. Eu também
sou provinciano, em certa medida, mas o Cinform, meus amigos, ainda joga pedra
em prostituta. Digo isso e vou daqui a pouco justificar o que falo. É que faz
dois dias, prenderam o tal do Pipita numa cidade do sul do estado chamada Tomar
do Geru. Sim. Ontem, abri o Cinform e comecei a ler a matéria sobre a captura
(o assassinato) desse menor pela polícia do estado – que já estava sendo motivo
de chacota pelos próprios sergipanos. O texto começava super bem e acabou me
deixando de boca aberta, pois eu não achava nada pra justificar a minha repulsa
em “ler o Cinform”. Até que, no último instante, eu tive a tristeza de ler
(quase chorando) o seguinte texto: “... até o pai dele, o criminoso José dos
Santos, conhecido como Didi, previu seu destino. ‘Ele escolheu esse caminho
errado e vai ser triste o seu fim’, disse Didi ao CINFORM, na quarta-feira,
pouco mais de 72 horas de o filho ser mandado aos quintos dos infernos”.
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