Certa vez, entrando na Inglaterra, ainda nas operações de migração do Eurotúnel em Bruxelas, na Bélgica, passei quase 15 minutos tentando explicar o que ia fazer em Londres com a minha irmã e uma amiga. Diga-se de passagens, éramos todos pretos e com cara de árabes. Claramente, achou na minha pronúncia macarrônica para “Heathrow” (nome do aeroporto do qual iríamos partir após alguns dias) a motivação para tentar ganhar terreno e, acho eu, humilhar um pouco os bárbaros que éramos, testar seus limites. Lembro que, no final, pedi desculpas por ter pronunciado errado o nome do aeroporto (o que me enoja até hoje!). Mas ele me disse, ao final, algo que me deu compaixão. Após pedir desculpas pela pronúncia, ele respondeu: "não precisa pedir desculpas: eu mal falo inglês!" Bem... no comments...
Indo, certa vez, pra Kalshure na Alemanha, apanhar um avião que nos levaria a Stockholm, saímos da estacão de trem de Strasbourg e os policiais alemães vieram diretamente onde estavam eu e minha amiga Helena. Pediram imediatamente os nossos passaportes. Com o vagão cheio de gente, eles vieram diretamente para mim e Helena. Tivemos vontade de perguntar por que eles não pediam os passaportes dos demais passageiros, mas talvez perdessemos de vez o nosso final de semana na Suécia. Calamos.
Outra vez, ainda quando morava em Strasbourg, esbarrei, sem querer, com uma senhora branca, indiscutivelmente alsaciana-germânica na rua. Automaticamente, coloquei as minhas mãos no seu ombro, como fazemos aqui no Brasil, e pedi desculpas. Ela, imediatamente, reagiu girando o corpo rapidamente e olhando pra mim diretamente: dá pra pedir desculpas sem pôr as suas mãos em mim? Jamais irei esquecer dessa sensação. Como somos todos tristes, nós, humanos!
Mas a pior de todas as situações, vivi na Argentina, país de que gosto muito! Chegando no aeroporto, com minha mochila nas costas, parecendo um bicho grilo moderno, barba grande e cara de terrorista foragido, o policial de fronteira resolveu abrir a minha mala, como de costume. Não satisfeito com a atitude de retirar bolsa por bolsa, ele resolveu cheirar as minhas roupas ali mesmo, no meio de todos, como se fosse um cão de caça e eu, o procurado. Já tinha vivido muito mais coisas complicadas, das quais não preciso nem contar aqui, mas aquilo me deixou muito mal. Talvez porque não imaginasse que nossos hermanos iriam adotar o mesmo comportamento dos “grandes homens”. Talvez porque o policial era preto como eu. Talvez porque eu tivesse retribuído feliz e interessado o seu bom dia, antes dos raios X...
Outra vez, ainda quando morava em Strasbourg, esbarrei, sem querer, com uma senhora branca, indiscutivelmente alsaciana-germânica na rua. Automaticamente, coloquei as minhas mãos no seu ombro, como fazemos aqui no Brasil, e pedi desculpas. Ela, imediatamente, reagiu girando o corpo rapidamente e olhando pra mim diretamente: dá pra pedir desculpas sem pôr as suas mãos em mim? Jamais irei esquecer dessa sensação. Como somos todos tristes, nós, humanos!
Mas a pior de todas as situações, vivi na Argentina, país de que gosto muito! Chegando no aeroporto, com minha mochila nas costas, parecendo um bicho grilo moderno, barba grande e cara de terrorista foragido, o policial de fronteira resolveu abrir a minha mala, como de costume. Não satisfeito com a atitude de retirar bolsa por bolsa, ele resolveu cheirar as minhas roupas ali mesmo, no meio de todos, como se fosse um cão de caça e eu, o procurado. Já tinha vivido muito mais coisas complicadas, das quais não preciso nem contar aqui, mas aquilo me deixou muito mal. Talvez porque não imaginasse que nossos hermanos iriam adotar o mesmo comportamento dos “grandes homens”. Talvez porque o policial era preto como eu. Talvez porque eu tivesse retribuído feliz e interessado o seu bom dia, antes dos raios X...
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