Sunday, 3 January 2010

Padrinho, eu?


Ontem eu fui convidado pra um casamento. Para ser padrinho de casamento, mais precisamente falando. As pessoas parecem gostar de me ver sofrer. Eu sei que deveria tomar isso como um presente, e na verdade, sinto assim, mas o fato é que eu me acho muito desajeitado pra fazer essas coisas oficiais. Além disso, eu não vou à igreja desde que fui padrinho de uma amiga que casou aqui na igrejinha de Areia Branca há quase uns 10 anos atrás. Ou seja, não sei mais nada de igreja, nem as rezas, nada... é verdade que morando por aqui vou acabar aprendendo de novo por que na frente dessa igrejinha tão singela tem um alto-falante que transmite a missa em tempo real para todos os habitantes do centro da cidade. Então hoje de manhã, toca o telefone e eu, após ver uma chamada internacional, atendi com o coração na mão porque acabo pagando uma fortuna. O que é um absurdo. Eles pagam de lá e eu preciso pagar aqui! Onde foi que já se viu? Então, era um amigo meu me convidado pro seu casamento. Na verdade, pra eu ser seu padrinho. Comprei um terno e nunca vesti. Nem sei quando vou vesti-lo. Ontem vi uma entrevista na TV do William Bonner dizendo que nunca quis usar terno na sua vida cotidiana, mas que ele sempre era apresentado a pessoas importantes e ficava se sentindo ridículo estando de tênis. É verdade que a gente pode se sentir ridículo por muito pouco. É o meu caso quando tenho que ir à igreja. Continuando... esse meu amigo esta se casando com um outro amigo meu. Isso mesmo, dois rapazes machos pra cacete indo se casar! Não resisti e perguntei quem vai com o véu. Ele sorriu e disse que já não podem mais usar o véu. Dois impuros, o padre iria pensar! Mas na verdade eles não vão casar na igreja... a igreja não acredita no amor entre pessoas do mesmo sexo. Não tenho certeza nem mesmo se ela acredita no amor. Aliás, a igreja acredita em muito pouca coisa de útil. Quando voltei da França, os dois estavam começando um relacionamento e agora já vão casar. Por que as pessoas gostam tanto de casar? Bem, o fato é que deve ser meio triste um casamento sem uma noiva de branco se enchendo de arroz na saída da igreja. Mas talvez isso seja só uma questão de ponto de vista. Imagine que pode ser muito interessante não ter que agüentar o choro da noiva horas antes de sair de casa, ou ter que ter sempre alguém pra levantar aquele vestido quilométrico. Mas o que é o melhor de tudo: um casamento sem atraso! Falei pra ele que aceitaria o convite se o casamento fosse aqui, porque nesses tempos ando enjoado da França. Provavelmente eles virão aqui me fazer uma visita. Perguntaram se poderiam andar de mãos dadas na rua aqui, e eu me senti ridículo quando tive que explicar que aqui provavelmente eles não iriam muito longe de mãos dadas na rua. É um pouco triste saber que as pessoas podem ser tão ignorantes e tão graves com coisas simples. Lembro de uma personagem de um livro que sempre repetia ao longo do texto: o atraso! Hoje eu vi na TV a propaganda do MEC incentivando as pessoas a serem professores. Como assim gente? Em que mundo a gente vive? Isso sim é o fim do mundo. Um final tão ridículo que nem tenho vontade de puxar a cadeira pra ver. Ao contrário desse casamento, que eu adoraria ver. Ele será exatamente o inverso daquilo que se chama de ridículo.

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