Friday, 13 September 2019

Pau-fava

Sabe aquelas conversas que você tem sozinho, com você mesmo, andando pela casa, pela rua? Pois é... a minha teoria é que quando a gente se percebe tendo essas conversas sozinho numa língua estrangeira, isso significa que começamos, de fato, a perder as amarras. Digo isso, pois na França, depois de uns 4 meses comecei a me pegar tendo esses pensamentos, e sempre achava engraçado, dizia: Euler, não é melhor falar sozinho em português, fio?! Largue de ser besta! Somente hoje, depois de três meses aqui, eu me peguei resolvendo problemas em inglês andando pela Universidade. Num ingrês ainda tão sofrido, mas ingrês! Pensei igual: Euler, não é melhor falar sozinho em português? Mas também percebi que minha tecla SAP não funciona mais pro francês. Fui tentar conversar com um francês no restaurante da Universidade outro dia e a coisa embolou toda, jesussss. Eu queria tanto ser Suíço. Nunca me esqueço de uma vez, entrando de carro na Suíça com uns amigos. O policial da fronteira falou com cada um de nós dentro do carro na sua língua de origem: alemão, francês, espanhol e (sim!!!) português. E não foi apenas olá, bom dia, como vai... não! Fiquei besta. Amarelo de inveja. Mas depois pensei: bote esse cabra numa Van indo de Itabaiana pra Aracaju e veja se ele consegue descer no Pau-fava, em Areia Branca. Consegue não, fio.

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