Depois de tanto tempo naquela serra distante, sem cor, e silenciosa, situada a exatos trinta e seis mil quilômetros de distância de qualquer gesto humano. Depois de perder o medo de ser sozinho, o egoísmo das estrelas, de chafurdar naquilo que todos dizem não. Depois de aceitar a danação da qual se sentencia os privados de alma. Depois de amargurar a mais suja promessa de um dia ser encontrado por aquele que, sem perceber, fechou a porta do que seria o tal paraíso. Depois de beber daquele gosto acido e estéril que escorre dos imbecis somente para sobreviver ao que não tinha ainda um nome. Depois de desistir de entender o significado de amar, entregue ao abandono anônimo, jogado de lado pelo próprio desejo de ter. Eis que foi resgatado pelo cavaleiro errante, descendo de um trem imaginário, batendo as botas sujas e dizendo baixo que estava fugindo e, assim, decidido a apagar, reescrever, e desenhar todo o resto daquela estória que não parecia possuir qualquer sentido.
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