Thursday, 20 August 2009

Como inutilizar uma pessoa em dois passos


Outro dia me dei conta de que as pessoas têm ficado meio malucas ultimamente. É que num desses sites de relacionamento em rede, tipo Orkut, algumas pessoas sempre me convidam para serem suas amigas sem que eu nunca as tenha visto. O último convite que recebi me deixou intrigado porque vinha com uma mensagem - coisa que é rara nesse tipo de convite. Dizia: vai ter uma festa na casa da Lindinha sábado e eu preciso entrar com alguém diferente; você poderia vir comigo? Gostei de você!

Como assim? Eu?

Não aceitei o convite. Nem mesmo o de amizade, porque de fato não sou amigo daquela Tatiana. Aliás, nunca achei que pudesse ser amigo de uma Tatiana (apesar dela ser super bonitinha). Mas é que seria tão inútil responder àquilo...

Outro dia, parado num sinal de trânsito entre as avenidas Rio de Janeiro e Desembargador Maynard, uma mulher exibindo uma bunda meio à la Mulher Melancia, passou toda segura de si pela faixa de pedestres. Quando eu me dei conta, o cara do carro do lado estava me olhando meio debochadamente, querendo que eu compartilhasse com ele seu sorriso meio imbecil. Não entendi direito se era um simples deboche ou uma cumplicidade de machos sexualmente atraídos pelo que é grande, o que ele buscava em mim. De qualquer modo, eu nunca me deixo inutilizar por pessoas desse tipo. Continuei sério e ele ficou visivelmente embaraçado até o sinal abrir de novo. Ao contrário, recebi uma mensagem toda tímida de um aluno que iniciou o e-mail dizendo que eu provavelmente não me lembraria dele (o que era correto), mas que após assistir às minhas duas primeiras aulas na graduação, se arrependia de ter mudado de curso. E me pedia permissão pra continuar assistindo às aulas. Isso sim é algo útil de alguém anônimo.

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