Saturday, 8 November 2008

320 Km/h



Sei que esse é um assunto reincidente, mas preciso ainda contar outra coisa. É que quando estive pela primeira vez nessa velocidade sobre o chão, que é o lugar onde todos nos queremos ficar, tive a impressão louca de que estar ali era a desumanização mais cruel das coisas. Era a relativização mais primordial que poderia existir. O mudo tinha outra forma. Por alguns minutos tudo o que existia a minha volta estava nos lugares errados. Vou explicar: não, eu não estou maluco, e nem tomei nada de especial durante aquela viagem de TGV, era apenas a constatação última que o mundo pode ser outra coisa se você esta a 320Km/h. Por exemplo, eu vi uma vaca no pasto que deixou de ser uma vaca. Não sei explicar o porquê. As coisas que eu reconhecia para fora da janela pararam de ter os mesmos valores de antes. Mais ainda, pra mim, a vaca passou a ser a pessoa do meu lado que lia uma revista tipo "Contigo" sem nem se dar conta da transformação que se dava do outro lado da janela.

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