Thursday, 3 April 2008

Moi qui n'a pas connu les hommes



Mas e o que fica entre as linhas? E o que a poeira esconde? Desmagnetiza. Tudo danificado. Eu já fui capaz de passar quase a semana inteira lendo um livro, sem fazer mais nada, além das necessidades básicas. Esse ultimo fim de semana foi assim. Comi, li, tomei banho, li, comi, li, dormi, li... tinha perdido o gosto disso. Eu vou ser um pai bem carrasco: eu não vou deixar meu filho assistir TV. Sim... deixo ele ver algumas coisas... mentira! Claro que meu filho vai poder fazer tudo que ele achar bom pra ele. Vou explicar as minhas razões pras coisas que creio boas e ruins, mas isso não significa que ele não possa ir por outro lado. Na verdade eu vou chorar de alegria se ele discordar de mim. É por isso que acho que ainda não posso ser pai. Que espécie de pai seria esse? Mas, como diz minha mãe: espere nascer e depois comece a falar besteiras! rsss... ela deve ter razão, teve cinco! Ok, filho meu...
É que sonhei ontem que tinha um filho. Na verdade, que a minha namorada tinha um filho. Que namorada? Talvez porque uma amiga passou a tarde interira em Ipanema falando comigo sobre ter um filho e uma família. Aquilo me assustou tanto: logo ela! Pois é... socorro! Próxima semana eu vou ter uma linda criança chorando do lado. O que? Não! Claro que não. Sim. Sei lá. E se ele lesse tudo isso que escrevi aqui? Claro que meu filho vai ser suficientemente inteligente pra saber quem era o pai dele, só pela leitura. Ah bom, um maluco qualquer que só não foi parar numa comunidade hippie radical porque não nasceu na década de sessenta e, muito menos, tinha coragem suficiente pra abandonar as coisas. Eu nasci mesmo foi em 1978. E cresci na década de oitenta... éca!!! Alguém poderia ter algum sentido crescendo naquela década? Eu não tenho. Outro dia fui numa festa onde eles tocavam musicas daquela época: balão mágico, musicas da Shira (é assim que escreve?)... bem, no meio da festa parei num canto e fiquei observando surpreso. Eu era fruto daquilo. Mas não preciso chorar por isso. Também tiveram algumas vantagens em nascer na década de oitenta. Por exemplo, ter nascido numa cidade do fim do mundo: Areia Branca. Lá, as coisas ainda eram misturadas. Lembro dos bailes de carnaval com serpentina e pó de arroz (existia uma linha incrivelmente reta entre a parte que só soltava serpentina e a parte que soltava pó de arroz e eu, claro, ficava no meio, pulando de um lado pra outro) no prédio que hoje é o Banco do Estado, o Banese. Coisas de Areia Branca. E meu irmão mais velho ganhava dinheiro sendo DJ numa discoteca da moda lá em Areia Branca. Sim, claro que existia discoteca em Areia Branca! E eu tinha um irmão DJ. Nem existia essa palavra! Mas ele era! E eu podia entrar em todas as festas sem que ninguém pedisse minha carteira de identidade: eu devia ter 8 anos. Lindo! Quem disse que Areia Branca é provinciana? Isso é a arqueologia da minha mente, aquela que eu queria registrar pra sempre num papel... desculpem-me, num arquivo “.doc” da Microsoft, mesmo eu que não conheci direito os homens.

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