Hoje foi um dia difícil. Daqueles que fazem a gente pensar sobre o rumo da nossa vida. O que, de fato, é importante pra nós. Eu sempre fui de fazer planos e segui-los religiosamente. Mas os planos tem defeitos e, uma hora ou outra, precisamos fazer novos planos, com menos defeitos. Ou, pelo menos, precisamos aceitar que mesmo dentro do plano existe o acaso, e o mundo e os outros. E eis que me chega a constatação óbvia de que não se pode, de fato, fazer planos. Ou, pelo menos, que não existe plano perfeito. Big deal... Bem, mas a pergunta que ecoa no meu cérebro nesse momento é: qual o novo plano?
Thursday, 23 January 2014
Wednesday, 1 January 2014
Vale do Capão
Não sei se foi a poeira da estrada de terra. Se foi o balanço do carro, a neblina espessa da madrugada afora pela pista vazia. Se foi o paredão amarelado do final do dia. O cansaço dos finais de tarde depois das trilhas. A mata fechada. Os chapadões na imensidão do horizonte. Se foi a agua gelada quase a arrancar fora nossas orelhas, ou o jeito atrevido de olhar sem medo uma cachoeira de fumaça a quatrocentos metros de altura. A companhia de um amigo quase criança que tenho e que além de tudo é quase um bruxo. E hoje só quer comer folha. Se foi o tal de pastel de palmito de jaca frio e saboroso, ou um geladinho. Se foi aquela louca da lanterna a vagar pela cidade, ou as situações mais embaraçosas que nem se pode contar. Ou se foi o tempo que era outro. O estourar do espumante à meia-noite. O grilo a cantar junto com o sapo e todos os passarinhos do mundo. O frio da noite. O calor do dia. A falta de carne. A pizza com mel de pimenta. As tatuagens. Uma turmalina negra no pescoço. O não saber meditar. A vida sem celular. O caminho sem luz de toda noite até chegar a vila. O céu de estrelas incontáveis. E o mundo a me olhar. Tudo isso me fez ficar apaixonado pelo Vale do Capão. É um lugar que preciso voltar urgentemente.
Saturday, 21 December 2013
Cheiros de alegria
No verão em Areia Branca, o cheiro de caxixe vindo do canavial invade a cidade sem pedir licença. Uns acham cheiroso, outros acham fedido demais. Eu fico no meio sentido: acho fedido, mas é um fedido que me dá alegria! Do mesmo jeito que gosto do cheiro dos finais de tarde em que fica no ar aquele cheiro de castanha de caju sendo torrada nos quintais dos vizinhos. São os cheiros do verão da minha terra!
Friday, 6 December 2013
Papudinhos
Desde que uma amiga minha, a Cris cachaceira, me recomendou o Clube Wine, não paro de receber vinhos bons pelo correio. Cada vez é um vinho novo vindo dos lugares mais bacanas no mundo! A Ninha, que é amiga da Cris, e de quem já falei outras vezes aqui no blog, é quem recebe o vinho. E sempre rola uma aura de mistério em torno desses vinhos. Parece algo caro demais. Chique demais. E que não condiz com a falta de açúcar e a amargura acentuada que a Ninha repara toda vez que prova um gole de um deles. Como alguém pode dizer que isso é bom, divino, se não tem açúcar? Na verdade, ela já me disse que só doutor pode beber esses vinhos em casa. (rsss...)
Outro dia, estávamos indo almoçar quando eu falei que iria abrir um vinho australiano que tinha recebido, e que já tinha conseguido vários prêmios internacionais, etc. Enquanto abria o vinho, a Ninha falou espontaneamente e sem dificuldade:
- Ave maria! Então, esse daí, os papudinhos dali da praça não podem beber não! Se beber , vão tudo cair duro de barriga inchada depois!!
Não precisa nem dizer que todo mundo caiu na gargalhada, né?
PS: papudinhos = cachaceiros
Outro dia, estávamos indo almoçar quando eu falei que iria abrir um vinho australiano que tinha recebido, e que já tinha conseguido vários prêmios internacionais, etc. Enquanto abria o vinho, a Ninha falou espontaneamente e sem dificuldade:
- Ave maria! Então, esse daí, os papudinhos dali da praça não podem beber não! Se beber , vão tudo cair duro de barriga inchada depois!!
Não precisa nem dizer que todo mundo caiu na gargalhada, né?
PS: papudinhos = cachaceiros
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