Nunca imaginei que pudesse descobrir, estando no Brasil e em pleno verão, um lugar onde todos dizem que é inverno. Sinto muito informar a vocês (que sabem mais do que eu que a linha do equador passa um pouquinho mais acima daquela cidade): agora é inverno em Belém. Sim, isso mesmo. Aquele povo já se sente no hemisfério norte! Aliás, a comida daquele lugar não deixa nada a desejar aos países mais chiques do primeiro mundo austral. Eu, que não gosto de ir ao dentista, adorei comer jambu e ficar com a boca toda dormente. Sensação maluca. Tão maluca quando sentir Belém, tão rica, tão suja de limo e lixo, tão molhada dentro nas nossas roupas, tão simpática nas nossas conversas com taxistas e atendentes, tão inóspita com aqueles espaços tão grandes entre as coisas... ficamos (não por acaso) num hotel francês no coração de Belém de onde íamos a pé pra vários lugares, quando a chuva deixava, claro. O aeroporto de Belém é legal com um nome interessante, Val de Cans. E a visão primeira da floresta impressiona mesmo! O tempo todo em Belém eu procurei o que chamamos de conforto. E não é que eu seja burguês, mas é que aquela cidade nos deixa completamente nus no meio da selva e em dia de chuva, como índios. É, na verdade, uma cidade pra não se voltar mais. Mas é também uma cidade pra não se esquecer nunca mais. Prefiro ficar com ela guardada aqui na cabeça. Já minha irmã, voltaria várias vezes pra lá, e tiraria ainda mais e mais fotos das comidas expostas no Ver-o-Peso.
post-scriptum: sei que a música desse vídeo não tem uma relação evidente com essa viagem, mas eu asseguro que ela tem sim, uma liberdade de ter sido feita por esses jovens californianos que não sabem absolutamente nada sobre aquela cidade tapajônica-marajoara-rupestre.
post-scriptum: sei que a música desse vídeo não tem uma relação evidente com essa viagem, mas eu asseguro que ela tem sim, uma liberdade de ter sido feita por esses jovens californianos que não sabem absolutamente nada sobre aquela cidade tapajônica-marajoara-rupestre.