Saturday, 17 June 2006

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(Se você acha que nunca vai conseguir dizer um palavrão como esse, não leia o que vem a seguir)
Hoje, uma amiga que mora na Alemanha há quase dois anos, revelou-me que não sabe dizer "vá tomar no cu!" em alemão. Fiquei meio besta, pois aqui existe palavrão pra tudo, e a gente aprende rápido. Bem, acho que tudo começa com o mais famoso "merda" que aqui é quase a mesma coisa que no Brasil: merde! Se você não fala nada de francês, ao menos isso você pode dizer sem medo de errar, é só exagerar na primeira sílaba e deixar o "d" quase mudo: meeeeeeeeeeerd! Mas acho que estamos mais acostumados com ela, a merda, que os franceses. Pra eles, a merda é uma coisa horrível, que deprime, que irrita, que derruba qualquer um. E quando eles estão muito irritados com alguém eles dizem: tu m'emmerde! (Você me lambuza de merda!) Pra nós, seria suficiente dizer: você me aborrece! Numa situação um pouco mais grave eles aumentam o tom e dizem: tu me fais chier! (Você me faz cagar!) Cagar é outra coisa difícil pro francês, eu sei. Talvez sejam os queijos. Mas uma dor de barriga não é lá uma boa coisa... e quando uma coisa não é lá muito boa mesmo você pode dizer logo: putain! Que é quase o nosso "puta que pariu!", que às vezes pode ser também a mesma "merda!". O nosso famoso "vá se fuder!" aqui fica igual: va te faire foutre! Ou "va s'encouler", o que dá no mesmo. Ah, mas uma "trepada" é um pouco confuso, pois você pode dizer "taper" (bater) ou mesmo "baiser" (beijar). São singelos os franceses, quando eles querem. Sim, pois outro dia eu soube do pior palavrão que alguém pôde inventar. Se você esta a ponto de dar uma surra em alguém, mas sabe que não vai poder (porque aqui as pessoas dificilmente se tocam) você pode encher os pulmões e dizer: je te pisse la rais, connard! (Eu mijo no rego do seu cu, seu canalha!)
Chega.

Sunday, 4 June 2006

Schweiz



É assim que se chama Suíça em Alemão. Prático. A Suíça também é prática e sabidinha, mas sem ser malandra. Toda vez que você entra, ela te exige passaporte, confere os seus dados on-line no maior fim do mundo e ainda te pergunta com a cara mais seria: carregam drogas a bordo, fumam, bagagem a declarar? Você pode até pagar em euros, mas eles vão te dar o troco em franco-suíço. E o que você faz depois com isso? Guarda pra próxima viagem. Uma "overdose", esse país! E é tão engraçado como eles começam as conversas em alemão, terminam em francês, falam besteiras em italiano, e ainda sorriem de você em inglês. Povo estranho esse!





Thursday, 4 May 2006

No vale onde eu estive




Sempre fico pensando o que seria de mim se eu tivesse nascido na Venezuela e tivesse desembarcado aqui na Europa pra viver com os meus pais, ainda pequeno... e se eu um dia decidisse que iria estudar na Suécia, fizesse um estágio na Holanda, e começasse o meu primeiro ano de engenharia na França? Talvez eu gostasse mais de futebol e cerveja branca, e ainda falasse inglês com alegria. Com a mesma alegria que eu dançaria uma salsa com um copo de Gato Negro na mão esquerda. Ou seria diferente e eu seria de um branco atômico que depois de deitar na neve voltando do centro da cidade, eu ficaria invisível. E se eu tivesse um pé de bambu no meio do meu quarto com algumas fotografias preto e branco e uma placa de rua onde se pudesse ler Berlin na parede? Angels over Berlin! Eu gostaria mesmo de Anthony and the Jonhsons e ficaria apaixonado por Keren Ann, e ainda usaria óculos, mesmo se alguém dissesse que eu seria lindo sem eles. Porque eu não saberia mesmo qual o significado disso tudo. E se eu lesse dois livros por semana guardando "L'Ombre du Vent" do Carlos Ruiz Zafón pro fim de semana? Talvez eu nunca conseguisse provar um queijo, nem responder a um SMS recebido às três horas da manha, nem fazer um jantar sem sujar toda a cozinha, e nem mesmo falar "vite!" no lugar de "bite!". Mas eu seria mais atento e saberia sobre as coisas ao redor, saberia a suas cores, os seus nomes, e com certeza iria a um show do "Nada Surf" justo pra me apaixonar por Inara George. Mas talvez eu saísse de uma sessão onde eu vi "20 centímetros" e achasse que as legendas estavam todas erradas, trocadas. Talvez eu não o assistisse duas vezes. E é lógico que pararia no meio de uma corrida de bicicleta pra tirar fotografias de uma cegonha cinza que insistia em comer sapinhos na beira de um canal. Eu não saberia o que significa Areia Branca, nem Aracaju, e muito menos Sergipe, e toda vez que eu pensasse numa cidade iria pensar numa Vila franca. E iria mesmo querer um dia aprender português e passar um ano inteiro fazendo pós-doutorado no Rio de Janeiro, comendo feijoada todos os dias. E acharia mesmo que o país mais rico da América Latina era o Chile e que todo mundo se apaixona por brasileiros. Talvez eu tivesse uma irmã que trabalhasse em Baden-Baden e falasse alemão. Talvez eu contasse piadas em francês e ainda soubesse produzir cimentos pra rebocar ossos. Com certeza eu nunca iria num restaurante japonês pra conversar seriamente e comer sushi. Mas eu ficaria tão vermelho, tão vermelho, a ponto de um daltônico notar qualquer diferença e, depois de entrar no trem, falaria sobre a visão dos Pirineus e do mar mediterrâneo. Talvez eu não me chamasse Euler e tivesse sempre um vale no meio de tudo. Um vale, onde azeitonas do tamanho de caroço de feijão dão o azeito mais saboroso do mundo. Ao menos eu leria todos os jornais, e ainda aceitaria os fatos como eles são. Eu poderia mesmo correr durante uma hora numa floresta sem folhas e ainda assim ninguém conseguiria me alcançar.

Sunday, 16 April 2006

Antes do anoitecer





Esse fim de semana encontrei dois dos meus grandes amigos em Paris. Poderia ser em qualquer outro lugar do mundo. Mas era Paris. Como um dia foi na minha quase cidade Areia Branca, ou numa praia do sul de alagoas chamada Coruripe, ou numa serra no meio do sertão sergipano. O fato é que cada dia eu fico mais apaixonado por eles, e pelo que eles têm se transformado. E pelo mundo em volta, e os seus subterrâneos. Os dois, iluminados pelas luzes da Torre Eiffel, como em Pietà. E eu ali, amando-os. Soft black stars.