Hoje, enquanto almoçava, muito mais preocupado com a comida do
que com o resto do mundo ao redor, comecei a escutar o piar desesperado do papa-capim
que escolheu o bambuzinho enramado na janela da minha cozinha pra fazer seu
ninho. E já pela terceira vez! Achei que fosse algum bicho querendo pegar os
filhotes e abri a porta devagar pra ver. Foi ai que levei um susto! Os três
filhotinhos estavam ensaiando o seu primeiro voo e um deles acabou entrando
desajeitado na cozinha. A mãe, desesperada, voando raso na minha cabeça, ainda
na porta da cozinha. Prometi a ela que iria trazer o seu bichinho são e salvo.
Fui atrás dele na sala e consegui abarca-lo com a mão, depois de muita corrida, puxa móvel aqui, empurra pra lá: estratégias pra não machuca-lo, claro. Tão frágil... A vida batendo forte entre as suas mãos
é algo tão mágico de se sentir! Por que a gente não se dá conta de que temos várias
coisas dentro das nossas mãos todos os dias esperando para serem salvas? Hoje
eu fui o herói mais desajeitado que já existiu. Resolvi deixar o pequeno no chão
do quintal pra que ele se juntasse aos outros dois e a mãe. E assim fiz. Fechei
a porta e voltei a almoçar, mas de olho nos pequenos e na mãe. Emoção imensa. Agora
estou na frente de casa e os escuto piando na mangueira do vizinho. Já não estão mais
no meu quintal. Isso significa que todos conseguiram se salvar e começam hoje a sua vida
mundo afora. Eu... eu permaneço aqui fazendo de conta que a minha vida continua igual. Mas não.
No comments:
Post a Comment