Saturday, 27 December 2014

Um filhotinho

Hoje, enquanto almoçava, muito mais preocupado com a comida do que com o resto do mundo ao redor, comecei a escutar o piar desesperado do papa-capim que escolheu o bambuzinho enramado na janela da minha cozinha pra fazer seu ninho. E já pela terceira vez! Achei que fosse algum bicho querendo pegar os filhotes e abri a porta devagar pra ver. Foi ai que levei um susto! Os três filhotinhos estavam ensaiando o seu primeiro voo e um deles acabou entrando desajeitado na cozinha. A mãe, desesperada, voando raso na minha cabeça, ainda na porta da cozinha. Prometi a ela que iria trazer o seu bichinho são e salvo. Fui atrás dele na sala e consegui abarca-lo com a mão, depois de muita corrida, puxa móvel aqui, empurra pra lá: estratégias pra não machuca-lo, claro. Tão frágil... A vida batendo forte entre as suas mãos é algo tão mágico de se sentir! Por que a gente não se dá conta de que temos várias coisas dentro das nossas mãos todos os dias esperando para serem salvas? Hoje eu fui o herói mais desajeitado que já existiu. Resolvi deixar o pequeno no chão do quintal pra que ele se juntasse aos outros dois e a mãe. E assim fiz. Fechei a porta e voltei a almoçar, mas de olho nos pequenos e na mãe. Emoção imensa. Agora estou na frente de casa e os escuto piando na mangueira do vizinho. Já não estão mais no meu quintal. Isso significa que todos conseguiram se salvar e começam hoje a sua vida mundo afora. Eu... eu permaneço aqui fazendo de conta que a minha vida continua igual. Mas não.

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