Saturday, 10 November 2012

Tabaréu


Hoje, às 5:30, abrindo o portão da rua aqui de casa em Areia Branca para ir à feira, deparei-me com a seguinte situação: um guri de mais ou menos uns 8 anos de idade, montado num cavalo três vezes mais alto que ele, levando laranja nos caçuás e entoando: êeee mimosa, vaaamos mimosa! êeeee mimosa!!! Claro que eu tive que olhar quem era essa mimosa e acabei procurei na mesma direção do olhar do menino. Pois, ai é que vi o tamanho da mimosa dele!!! Só Jesus!! Uma vaca, daquelas leiteiras, daquelas desenhadas nos potinhos de manteiga do supermercado. Linda, gigante, com os quartos largos, peitos balançando cheios de leite, pontas enormes e uma leveza no andar que parecia atender mesmo ao mimosa do seu nome. Fiquei tão besta com a imagem que voltei os olhos novamente para o menino. Ele, naquela altura, já estava me olhando. Eu, mais besta que qualquer besta, parado e de boca aberta na frente do portão. E, de repente, exatamente como os sertanejos se cumprimentam quando se cruzam nas estradas de terra batida do sertão, ele balançou de leve a cabeça pra mim e disse: opa, bom dia! E eu... eu respondi, mas sem firmeza: bom dia. Sem chegar aos pés da elegância daquele menino. Respondi, como um idiota da cidade grande responderia... daqueles que acham, de fato, que aquelas cenas só se vêm em filmes antigos na televisão. Que pensam que as alfaces brotam das fileiras do supermercado. Ele, do alto da sua elegância, compreendeu logo o desencontro. E eu fui pra feira envergonhado. Completamente triste por me sentir um sertanejo de quinta categoria, um verdadeiro tabaréu.

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