E ainda que fosse a completa falta de sonho
aquilo que me guiasse, eu não poderia seguir nada senão aqueles sinais que se
tornam surpreendentemente evidentes entre pessoas que nunca se viram. Mas a mim
foi dada aquela inquietação de alguém que nunca soube da verdade. E por nunca
saber da verdade, eu sempre fiz propagandas enganosas de mim mesmo para os
outros, distraidamente. Ontem eu tive um encontro. Um encontro falso como o de
duas pessoas que se conhecem pela internet e que nunca trocaram mais do que
cinco mil caracteres de informação. A falta de caracteres e de resposta que
corresponda à pergunta certa configuraria imediatamente uma falta de conexão,
como se em algum no momento do download
tivéssemos obtido um 0 no lugar do 1. Seria como se no momento final do filme,
onde aquele gesto justificaria todas as ações passadas, faltasse energia por
três segundos e você ficasse com a notícia reveladora sem a consistência
daquilo que é necessário para se acreditar. E a notícia já não significaria
mais nada para ninguém...
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