Thursday, 16 June 2011

Pela internet


E ainda que fosse a completa falta de sonho aquilo que me guiasse, eu não poderia seguir nada senão aqueles sinais que se tornam surpreendentemente evidentes entre pessoas que nunca se viram. Mas a mim foi dada aquela inquietação de alguém que nunca soube da verdade. E por nunca saber da verdade, eu sempre fiz propagandas enganosas de mim mesmo para os outros, distraidamente. Ontem eu tive um encontro. Um encontro falso como o de duas pessoas que se conhecem pela internet e que nunca trocaram mais do que cinco mil caracteres de informação. A falta de caracteres e de resposta que corresponda à pergunta certa configuraria imediatamente uma falta de conexão, como se em algum no momento do download tivéssemos obtido um 0 no lugar do 1. Seria como se no momento final do filme, onde aquele gesto justificaria todas as ações passadas, faltasse energia por três segundos e você ficasse com a notícia reveladora sem a consistência daquilo que é necessário para se acreditar. E a notícia já não significaria mais nada para ninguém...

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