Sunday, 5 October 2008

Fedor



Eu já falei tanto sobre os cheiros da França... mas vou continuar a falar sobre isso. É que hoje de manhã, um pesquisador à beira da aposentadoria, deu a maior bronca no rapaz que faz a limpeza, reclamando do cheiro do produto que ela passava no chão. Ele reclamava que o cheiro do produto estava super forte, e pediu pra o rapaz abrir o reservatório de produto, e ir buscar a caixa do produto pra que ele pudesse ler sobre a composição. Fiquei tão chocado com aquela cena; não pela grosseria do nosso colega (isso já é muito comum no nosso meio de pesquisa, onde os egos são enormes), mas pela constatação de que o cheiro que eu sentia devia ser completamente diferente daquele que o velho sentia. Na verdade eu estava achando super agradável. Tanto que ele me perguntou sobre o que eu achava do cheiro, certo de que eu iria compactuar com sua observação "imunda", mas na verdade eu me fiz de desentendido e falei displicentemente: tem um cheiro de limpeza – se é que isso existe. Bem, fiquei pensando nos cheiros da França. E como eles podem ser diferentemente tratados pelos estrangeiros. Outro dia, passei pela sala desse mesmo senhor e senti um fedor no ar que mais parecia algum sanduíche de munster abafado por uns três dias, esquecido num canto qualquer. Ele, o senhor, estava feliz e cantante. Ninguém foi reclamar com ele. Tem algo errado nos cheiros do mundo, não? Ou sou eu que além de daltônico, sou olfato-deficiente? Não acredito nisso. Na verdade, quem tem alguma deficiência em algum dos sentidos acaba super-desenvolvendo os outros. Por falar nos cheiros da França, os meios de transporte públicos começam a ficar impraticáveis: essa época de transição verão/inverno deixa os franceses dias sem tomar banho... ou melhor, sem encostar em água. Ainda por cima tiram os casacos sujos guardados do inverno passado... meu deus! Ainda mais porque ainda não é tempo de ligar o aquecimento geral. Até eu já passei uns dois dias sem tomar banho... mas, ao contrário deles, eu sempre vou saber quando estou fedendo. Não sei até quando...

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